Hamas promete agir para impedir eleições na Faixa de Gaza

O Hamas vai combater a organização de eleições palestinas na Faixa de Gaza, marcadas para 24 de janeiro pelo presidente Mahmoud Abbas, segundo declarou nesta quarta-feira o porta-voz do Ministério do Interior controlado pelo grupo islâmico, Ehab Al-Ghsain.

BBC Brasil |


"Qualquer preparação, comitê ou lista de eleitores será considerada uma ação ilegal e será combatida", afirmou Al-Ghsain. "Qualquer um envolvido nas eleições responderá por isso."

O porta-voz declarou ainda que o ministério "rejeita a realização de eleições na Faixa de Gaza porque elas foram anunciadas por alguém que não tem o direito de fazer isso e porque não há um consenso nacional sobre o pleito".

Apesar de meses de negociações mediadas pelo Egito, o Hamas não chegou a um acordo com o Fatah, a outra grande facção palestina, a qual pertence Abbas, sobre a realização de eleições nos territórios palestinos.

Mandato

O Hamas - que controla a Faixa de Gaza - não reconhece Abbas como o presidente de direito dos palestinos. Mahmoud Abbas foi eleito em janeiro de 2005 a um mandato de quatro anos.

A Autoridade Palestina estendeu seu mandato de presidente por mais um ano para que as eleições parlamentares e para presidente pudessem ocorrer na mesma data, mas o Hamas não reconheceu essa decisão.

Na semana passada, Abbas convocou as eleições para 24 de janeiro na Cisjordânia, em Gaza e em Jerusalém Oriental.

Histórico

Nas últimas eleições parlamentares, em janeiro de 2006, o Hamas conquistou uma inesperada vitória sobre o Fatah, gerando uma onda de protestos internacionais e um boicote econômico aos territórios palestinos. Em uma tentativa de conquistar reconhecimento internacional, o Hamas aceitou formar um governo de unidade nacional com o Fatah.

A iniciativa não funcionou e, após meses, as tensas relações entre os dois grupos explodiram em junho de 2007, quando - após confrontos armados entre as duas facções - o Hamas expulsou militantes do Fatah da Faixa de Gaza, assumindo o controle da região.

O Egito vem tentando mediar um acordo entre as duas facções há meses e propôs recentemente a realização das eleições em meados do ano que vem.

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