Gaza, 13 abr (EFE).- O movimento islâmico Hamas previu hoje um levante popular na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em outras partes do mundo árabe, se continuar o bloqueio israelense ao primeiro território.

"O bloqueio sionista total em Gaza será derrotado por um forte levante popular, mas ninguém sabe que tipo de levante será, nem quando nem onde", afirmou em comunicado o porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Ayman Taha.

Segundo Taha, "o levante não será decidido pelo Hamas, mas será espontâneo, popular e contra a ocupação israelense. A explosão não será só em Gaza, mas também na Cisjordânia e em países árabes".

Gaza vive há dez meses sob um ferrenho bloqueio de Israel, que mantém fechadas as fronteiras, quase não permite a entrada de cinco grupos de alimentos básicos e reduziu suas vendas de combustível ao território.

O cerco se estreitou ainda mais esta semana com a decisão de Israel de fechar a passagem fronteiriça de Nahal Oz - por onde Gaza recebe combustível - depois que, na quarta-feira passada, milicianos palestinos mataram dois civis israelenses no terminal.

O diretor da única central elétrica de Gaza, Rafik Maliha, advertiu ontem que a unidade só tem combustível para "dois ou três dias".

Apesar do difícil situação de Gaza, Taha desmentiu que o Hamas planeje novamente abrir trechos da cerca divisória com o Egito, como fez em janeiro passado, para que seus habitantes comprem no país vizinho bens que estão em falta devido ao bloqueio.

"Ninguém está ameaçando o Egito e ninguém tem permissão de fazer isso", disse o porta-voz.

Taha refutava assim a ameaça feita há cinco dias por um líder de seu próprio movimento, Khalil al-Hayeh, que disse que a possibilidade de derrubar mais uma vez a fronteira entre Gaza e o Egito "está sobre a mesa", se o cerco israelense continuar.

Cairo reagiu então com um comunicado para advertir que suas fronteiras internacionais "são uma linha vermelha que não pode ser violada", e que "está preparado para responder a qualquer tentativa" semelhante. EFE sar/an

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