GAZA - O porta-voz do Hamas na Faixa de Gaza, Fawzi Barhum, negou hoje que seu movimento tenha aceitado o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, como chefe do próximo Executivo de união nacional que as facções palestinas negociam no Cairo.

"O nome de Fayyad nem sequer foi proposto e não foi debatido como próximo chefe de Governo", disse Barhum, em Gaza.

As declarações do porta-voz islâmico ocorrem depois que a imprensa palestina afirmou, citando fontes do Hamas, que tanto este movimento quanto a Jihad Islâmica "não rejeitam permitir que Fayyad dirija o Governo, mas (aceitariam) em troca de um alto preço".

No sábado passado, Fayyad apresentou sua renúncia ao presidente da ANP, Mahmoud Abbas, para "facilitar" a formação de um novo Governo de união nacional o que, disse, deveria ocorrer no máximo no final de março.

Oitenta representantes de 13 facções palestinas iniciaram na terça-feira passada um diálogo na capital egípcia para definir o Executivo de unidade e resolver os diferentes problemas desde a tomada de poder de Gaza por parte do Hamas, em meados de 2007.

Por enquanto, os negociadores se comprometeram a proibir o uso da luta armada para resolver confrontos tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, informou hoje Yasser al-Wadia, membro independente do comitê de reconciliação.

O dirigente do Hamas Mahmoud Zahar disse hoje à rede de televisão saudita "Al Arabiya" no Cairo que as facções poderiam chegar a um pacto completo nos próximos dois dias.

"O Hamas está fazendo o esforço máximo para acabar com o obstinado confronto que dividiu a família palestina e destruiu a sociedade palestina", disse Zahar, acrescentando que os comitês de diálogo progrediram em suas negociações.

No entanto, "há alguns assuntos, como as eleições, a segurança e a formação de um Governo, que precisam de um debate mais intensivo e que se responda certas perguntas para superar nossas diferenças".

Entre os temas delicados a resolver está a exigência do Fatah de que o Hamas se comprometa a "cumprir" os acordos assinados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), o que implicaria no reconhecimento de Israel.

Os islamitas, por enquanto, oferecem apenas se comprometer a "respeitar" esses acordos.

Outras questões ainda a serem submetidas a debate são decidir se o Governo de unidade será formado por independentes e a preparação do pleito.

Leia mais sobre: Hamas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.