Hamas nega a possibilidade de prolongar trégua com Israel

Um porta-voz do grupo islamita palestino Hamas, Fawzi Barhum, negou nesta quinta-feira a possibilidade de prolongar a trégua com Israel, que expira nesta sexta-feira.

AFP |

"Não há possibilidade de renovação da trégua com Israel", declarou Barhum. "O inimigo sionista a destruiu e pôs fim a ela. Nós, no Hamas, temos o direito de responder a qualquer agressão sionista contra o povo palestino. Esse é um dever nacional".

O porta-voz, no entanto, enfatizou que o Hamas agirá de acordo com a situação, em alusão a uma possível operação militar israelense de envergadura na Faixa de Gaza.

Também reiterou suas acusações contra a "ocupação sionista" por ter responsabilidade por tudo.

Ataque com foguetes

Enquanto isso, nove foguetes e obuses de morteiro palestinos foram lançados na manhã desta quinta-feira a partir de Gaza contra o sul de Israel, em ataques que não provocaram vítimas nem danos, segundo uma fonte militar.

Na quarta-feira, 20 foguetes atingiram o sul de Israel. Um deles explodiu perto de um supermercado da cidade de Sderot, deixando dois feridos.

As Brigadas Al-Qods, braço armado da Jihad Islâmica, assumiram os disparos dos foguetes, como represália pela morte de um ativista deste movimento radical palestino por soldados israelenses na Cisjordânia.

Em resposta, a aviação de Israel atacou durante a madrugada a Faixa de Gaza e um palestino de 47 anos faleceu na operação.

Os ataques tiveram como alvos oficinas metalúrgicas de Jabaliyah e Khan Yunes, respectivamente ao norte e ao sul da Faixa de Gaza.

A intensificação da violência acontece a poucas horas de expirar a trégua de seis meses entre Israel e o grupo radical palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Além do Hamas, a Jihad Islâmica já anunciou que é contrária ao prolongamento da trégua. Israel se disse favorável à manutenção da mesma, mas não descarta uma grande operação militar caso a violência prossiga na região.

Negociações nos EUA

Já o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, viaja nesta quinta-feira a Washington para garantir que os Estados Unidos continuem comprometidos com a paz no Oriente Médio depois da posse do democrata Barack Obama em janeiro.

Abbas, que na sexta-feira será recebido pelo presidente George W. Bush, chega aos Estados Unidos no fim de um ano ao longo do qual não foi possível vislumbrar a conclusão de qualquer acordo de paz.

A manutenção dos colonos judeus na Cisjordânia e dos postos de controle militar, além da violência em Gaza e das divisões entre facções palestinas enterraram o processo de Annapolis, iniciado em novembro de 2007, que pretendia alcançar um acordo de paz antes de 2009.

As negociações ficaram ainda mais complicadas após a saída, em setembro, do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, envolvido em escândalos de corrupção.

Para as eleições legislativas de Israel, no dia 10 de fevereiro, as pesquisas apontam uma vitória do Likud, principal partido conservador do país, de Benjamin Netanyahu, que se opõe à criação de um Estado palestino soberano.

A visita de Abbas a Washington - seguindo depois para a Rússia - tem como objetivo "assegurar a continuidade de um processo de paz que deve culminar em uma solução baseada em dois Estados", disse à AFP o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

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