Hamas impõe novas condições para reconciliação com o Fatah

Grupo islâmico exige ministérios-chave, como o do Interior, o que deve ser rejeitado pela Autoridade Palestina para governo de união

iG São Paulo |

O Hamas estabeleceu novas condições para implementar um acordo de reconciliação com a facção rival Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, reduzindo ainda mais as chances de um acordo concreto, segundo uma autoridade palestina nesta quinta-feira.

Acordo: Abbas presidirá governo de união entre Fatah e Ham as

No início do mês, Abbas e Khaled Meshaal, líder político do Hamas no exílio, concordaram em reunião no Catar em formar um governo de união liderado por Abbas , que conta com apoio do Ocidente, até as eleições na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

AP
Abbas (dir.) conversa com o líder do Hamas Khaled Mashal, após encontro no Cairo, Egito (22/2)
Em um racha com a liderança do grupo islâmico, porém, as autoridades do Hamas na Faixa de Gaza, que é governada pelo grupo, criticaram duramente o acordo, em especial a cláusula que prevê Abbas como primeiro-ministro e presidente.

Durante uma reunião interna presidida por Meshaal no Cairo na quarta-feira, as autoridades do Hamas se uniram em torno de novas exigências. Segundo uma autoridade palestina envolvida nas negociações, é provável que Abbas rejeite as novas condições.

"O Hamas exigiu ficar com os ministérios-chave do novo governo, incluindo o Ministério do Interior", disse a autoridade. "Ele também exigiu que não haja mudança na estrutura dos serviços de segurança da Faixa de Gaza.” O Ministério do Interior supervisiona os serviços de segurança dirigidos pelo Hamas.

Segundo o analista político palestino Samir Awad, os novos termos demonstram que o grupo "não está preparado para deixar o controle de Gaza", território do qual o Fatah foi expulso após o racha do governo de união com o Hamas, durante os confrontos de 2007.

Abbas tenta formar um governo de união com políticos independentes e tecnocratas para garantir que ele não seja boicotado pelo Ocidente, que doa fundos essenciais à Autoridade Palestina, e recusa-se a negociar com o Hamas devido à sua hostilidade com relação a Israel.

Outras demandas que surgiram da reunião no Cairo incluem a nomeação de um vice para Abbas que fique em Gaza e tornar sua indicação como primeiro-ministro condicional a um voto de confiança no Parlamento palestino.

O Legislativo palestino não tem uma sessão desde o colapso, há cinco anos, do governo de união entre Hamas e Fatah.

Reação

Israel se opõe à aliança entre o Hamas e o Fatah. No início do mês, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu pedindo a Abbas que escolha entre "a paz com o Hamas ou a paz com Israel". "Disse muitas vezes no passado que a ANP deve escolher entre uma aliança com o Hamas ou a paz com Israel. O Hamas e a paz não podem andar juntos", declarou Netanyahu no início de uma reunião de seu partido, o direitista Likud.

Unidade: Palestinos protestam contra divisão de governo

Em outra ocasião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, lamentou um pacto que representa "maior complacência em relação ao Hamas, o principal obstáculo no caminho da paz e do compromisso".

*Com Reuters

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