Hamas impede que representantes do Fatah em Gaza vão a congresso

Saud Abu Ramadan. Gaza, 3 ago (EFE).- A liderança do Fatah decidiu hoje adiar para outubro a escolha de seus representantes na Faixa de Gaza, após o Hamas proibi-los de saírem do citado território palestino para assistir amanhã, em Belém, a um congresso do movimento nacionalista.

EFE |

"Decidimos seguir com a Conferência Geral sem os membros do Fatah em Gaza e agregá-los ao Comitê Central e ao Conselho Revolucionário dentro de dois meses", disse à imprensa Ibrahim Abu al-Naja, um dos líderes na Faixa de Gaza da formação nacionalista.

O Hamas se nega a deixar sair de Gaza - território que controla - os mais de 400 residentes convidados como delegados à conferência na cidade cisjordaniana de Belém, onde deveriam se unir aos 2,2 mil participantes da conferência.

Para suspender o boicote ao evento, o Hamas exige a libertação de cerca de mil detidos do grupo que estão nas prisões na Cisjordânia da Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida pelo líder do Fatah, Mahmoud Abbas.

A Turquia e vários países árabes tentaram mediar, sem sucesso, para que o Fatah realizasse por completo sua conferência, a primeira em vários anos e nos territórios palestinos.

O movimento islâmico instalou controles nos acessos à passagem fronteiriça com Israel, no norte de Gaza, mas pelo menos 25 membros do Fatah conseguiram burlar a vigilância e chegar à Cisjordânia, segundo dados do próprio Ministério do Interior do Governo do Hamas em Gaza.

Um deles foi Naya, que voltou a Gaza "em solidariedade aos colegas" que não poderão ir ao evento.

Naja acrescentou que o Fatah está estudando "várias sugestões" sobre como reagir ao boicote islâmico, mas disse que nenhuma "afetaria o calendário do Congresso".

O novo episódio faz parte de uma série de enfrentamentos entre os dois movimentos rivais, cuja divisão se aprofundou em junho de 2007, quando o grupo islâmico assumiu o controle de Gaza à força, após enfrentar as forças leais a Abbas, que só mantém sua autoridade na Cisjordânia.

Desde então, os dois movimentos mais representativos entre o povo palestino tentaram chegar a um acordo para estabelecer um Governo de unidade que permita a convocação das próximas eleições palestinas, previstas para janeiro de 2010, após a vitória do Hamas nas anteriores, realizadas em 2006.

No entanto, todas as tentativas realizadas nesse sentido fracassaram no Cairo, onde o Fatah e o Hamas negociam com a mediação das autoridades egípcias, que determinaram meados desse ano como prazo limite para que os dois movimentos definam o Executivo de unidade que abra caminho às eleições.

O Hamas e o Fatah encarnam as duas posturas opostas que prevalecem entre os palestinos em seu conflito com os israelenses.

A direção do Fatah renunciou à luta miliciana e é partidário da negociação com Israel para o estabelecimento de um Estado palestino nos territórios ocupados em 1967 - Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Já o Hamas rejeita o diálogo e defende o desaparecimento do Estado judeu, e para chegar a esse objetivo se nega a abandonar a força das armas. EFE sar-ap/an

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