Hamas explode três veículos em posto fronteiriço israelense

Saud Abu Ramadán Gaza, 19 abr (EFE).- O movimento islâmico Hamas conseguiu hoje introduzir dois jipes militares e um veículo blindado com explosivos em um posto fronteiriço na Faixa de Gaza, ferindo 16 soldados israelenses no ataque mais grave registrado na zona desde que Israel saiu do território palestino, em 2005.

EFE |

Três milicianos morreram no ataque suicida, que ocorreu hoje por volta das 6h (1h de Brasília), no posto fronteiriço de Kerem Shalom, por onde entram as provisões humanitárias à Faixa de Gaza.

O ataque foi "o maior e que utilizou uma maior quantidade de explosivos desde que saímos de Gaza" disse à Agência Efe a comandante Avital Leibowitz, porta-voz militar no território palestino, que disse que os veículos conseguiram se aproximar tanto porque os veículos eram muito parecidos com os utilizados pelo Exército israelense.

Segundo Leibowitz, os veículos, com centenas de quilos de explosivos, pertenciam originariamente ao movimento nacionalista Fatah, quem os recebeu como doação da cooperação internacional para que suas forças de segurança mantivessem a ordem na Faixa de Gaza.

Estes carros, junto com outros equipamentos do Fatah, caíram nas mãos do Hamas quando o movimento islâmico expulsou as forças leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e tomou o poder na Faixa de Gaza, em junho de 2007.

Aproveitando um intenso nevoeiro, os três veículos conseguiram entrar no lado israelense do posto fronteiriço e se aproximar dos soldados.

"Os milicianos que estavam no veículo blindado saíram e começaram a atirar contra os soldados, enquanto os dois jipes se aproximaram dos soldados e explodiram", disse Leibowitz, que confirmou que 16 soldados israelenses ficaram feridos no ataque: treze com ferimentos leves, dois com lesões moderadas e um em estado grave.

Segundo a porta-voz, os danos não foram maiores porque muitos dos soldados israelenses estavam protegidos dentro de veículos blindados.

O ataque suicida ocorreu junto com o lançamento de quinze bombas, que caíram perto do posto fronteiriço.

Israel considera o Hamas um grupo cada vez mais organizado, "quase um Exército, que está aumentando e melhorando sua atividade", segundo fontes israelenses.

Em 2000, por exemplo, os foguetes Qassam que os milicianos lançavam a partir da Faixa de Gaza tinham um alcance de apenas oito quilômetros, enquanto hoje já alcançam mais de vinte quilômetros.

"O Hamas está operando de forma muito semelhante ao Hisbolá no norte (de Israel, a partir do Líbano)", disse a porta-voz militar.

Horas depois do ataque, as Brigadas de Ezedin al-Qassam, braço armado do Hamas, reivindicaram a autoria do mesmo em comunicado, no qual afirmavam que seus homens mantiveram uma troca de tiros com os soldados que durou duas horas.

O Exército suspeita que o ataque de hoje poderia ter como objetivo seqüestrar soldados que vigiam a passagem fronteiriça.

A ofensiva do Hamas ocorre em uma data especial para os judeus, o Pessach, uma das maiores festividades de Israel, comemorado hoje e que lembra a saída do povo judeu da escravidão no Egito faraônico.

No entanto, o incidente de Kerem Shalom não foi o único do dia.

Meia hora depois, perto da localidade israelense fronteiriça de Nirim, um tanque israelense atirou contra um carro palestino que se aproximava da cerca divisória e, segundo o Exército, atingiu o alvo.

"Esta é a quinta tentativa de infiltração em um posto fronteiriço humanitário nos últimos dez dias", disse Leibowitz, acrescentando que estes ataques evidenciam o desprezo do Hamas pela população civil da Faixa de Gaza.

"O Hamas não se importa com a população civil palestina, vemos isso quando disparam a partir de bairros palestinos, quando lançam foguetes Qassam das casas de civis, e também vemos quando escolhem os postos fronteiriços e não se importam com que os produtos humanitários parem de entrar em seu território", disse.

Também hoje, um miliciano das Brigadas de Ezedin al-Qassam, Ihab Abu Amro, de 21 anos, morreu e outros dois ficaram feridos em um bombardeio da Aviação israelense sobre o leste da Cidade de Gaza.

Os ataques registrados na última semana na Faixa de Gaza fizeram com que Israel endurecesse ainda mais o ferrenho bloqueio a este território palestino, o que provocou uma escassez de combustível e levou à paralisação completa hoje do serviço de ambulância. EFE sar/an

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