Os combates entre a polícia do movimento islamita palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e ativistas salafitas deixaram 22 mortos e 120 feridos, incluindo o líder do grupo extremista.

Os enfrentamentos começaram na sexta-feira à tarde, depois da oração semanal em Rafah, na fronteira com o Egito, e prosseguiram durante a madrugada de sábado. Testemunhas relataram que a polícia do Hamas atacou a mesquita com armas pesadas.

"Os confrontos entre o Hamas e um grupo de extremistas no sul da Faixa de Gaza deixaram 22 mortos e pelo menos 120 feridos", confirmou à AFP uma fonte dos serviços de emergência médica.

Entre os mortos figuram o líder do grupo extremista dissidente Jund Ansar Alá (Guerreiros de Deus), Abdelatif Musa, assim como seu número dois, Abu Abdullaha As Suri.

A polícia explodiu a casa de Musa, mas não foi possível saber se o islamita estava no local no momento.

Os choques também mataram o comandante militar do Hamas para o sul de Gaza, Mohamed al-Shamali, e cinco policiais. Outros 10 agentes ficaram feridos.

Uma criança de três anos ficou gravemente ferida.

Os confrontos começaram depois que Musa proclamou aos fiéis reunidos na mesquita a formação de um "emirado", desafiando a autoridade do Hamas, que controla o território de 1,5 milhão de habitantes desde junho de 2007.

"Hoje proclamamos a criação de um emirado islâmico na Faixa de Gaza", declarou Musa.

Rafah é o reduto na Faixa de Gaza do movimento salafita, que tem uma ideologia ligada à rede terrorista Al-Qaeda de Osama Bin Laden.

Estes incidentes foram os mais violentos em Gaza desde a operação militar lançada por Israel contra o empobrecido território entre dezembro do ano passado e janeiro, que tinha como objetivo acabar com os disparos de foguetes do Hamas contra o Estado hebreu. Na ofensiva, de três semanas, morreram 1.400 palestinos.

O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, tentou negar a existência do grupo salafita.

"Não existe um grupo assim no território de Gaza", afirmou na cidade de Beit Lahiya, antes de acusar os meios de comunicação israelenses de difundir esta informação com o "objetivo de virar o mundo contra Gaza".

O Hamas assumiu o poder em Gaza em junho de 2007, após combates contra as forças do movimento Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, que desde então governa apenas a Cisjordânia.

O movimento islamita Hamas é considerado um grupo terrorista por Estados Unidos e Israel, que mantém um bloqueio ao território. No entanto, é considerado moderado pelo Jund Ansar Alá, que defende a aplicação estrita da sharia, a lei corânica.

O grupo já ameaçou explodir cibercafés e impor restrições a tipos de roupas nas praias.

az/fp

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