O grupo palestino Hamas enviou nesta quinta-feira uma carta destinada ao presidente americano, Barack Obama, de acordo com um alto funcionário da ONU. A carta teria sido entregue ao senador democrata John Kerry, que integra uma delegação de congressistas americanos que visitam o território palestino.

Karen Abu Zayd, chefe das operações humanitárias da ONU em Gaza, disse que se encarregou de receber a carta e entregá-la a Kerry, mas não revelou detalhes sobre o conteúdo e não confirmou se o senador americano aceitou receber o documento.

A carta do Hamas é a primeira tentativa direta de diálogo entre o grupo palestino e o governo americano, que - assim como Israel e a União Europeia - considera o grupo palestino uma organização terrorista.

Kerry havia dito pouco antes que estava em Gaza "para ouvir e aprender" e que sua visita não sinalizava uma mudança da política americana para com o Hamas.

AP
Senador americano John Kerry visita área destruída em Jebaliya, no norte de Gaza

Ao lado dos também congressistas, Keith Ellison e Brian Baird, ele faz a primeira visita de congressistas americanos a Gaza desde que o Hamas foi eleito, em 2006, para comandar o parlamento palestino.

Correspondentes dizem que os americanos pareciam fazer a visita na condição de congressistas, e não de enviados de Obama. A agenda não previa nenhum encontro entre o Hamas e os visitantes.

Diante da destruição

Durante visita a prédios destruídos em Gaza, Kerry viu os estragos causados pela campanha militar israelense de 22 dias, entre dezembro e janeiro, que matou cerca de 1,3 mil palestinos - um terço deles, crianças - e deixou centenas de desabrigados.

O congressista também escutou de palestinos queixas sobre o cerco imposto por Israel a Gaza desde meados de 2007, quando o Hamas assumiu o controle total da região.

A delegação visitou antes a cidade israelense de Sderot, alvo frequente de foguetes palestinos.

Obama já expressou anteriormente preocupação com o sofrimento da população em Gaza.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deve participar de uma conferência de doadores para os territórios palestinos, marcada para o próximo mês no Egito.

Clinton já havia dito que o diálogo com o Hamas só será possível se o grupo renunciar à violência e reconhecer o direito de Israel existir, condições já rejeitadas pela organização.

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