Hamas e Israel suspendem fogo; Gaza avalia saldo da guerra

Por Nidal Al Mughrabi GAZA (Reuters) - Forças israelenses abandonam na segunda-feira a Faixa de Gaza, cumprindo uma precária trégua, enquanto os palestinos avaliam os resultados da devastadora guerra de três semanas.

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Fontes militares disseram que tropas e tanques de Israel estão gradualmente deixando Gaza, após uma ocupação iniciada no dia 3, como parte de uma ofensiva israelense para tentar impedir o Hamas de disparar foguetes contra o seu território. A ofensiva aérea e marítima havia começado uma semana antes da incursão terrestre.

Israel e o Hamas declararam tréguas separadas no domingo, para alívio das potências ocidentais que, embora publicamente simpáticas às preocupações de segurança de Israel, estavam alarmadas com os efeitos humanitários do conflito na Faixa de Gaza.

Escavadeiras retiram os escombros das ruas e o Escritório Central Palestino de Estatísticas informou que os custos da reconstrução chegarão a pelo menos 1,9 bilhão de dólares.

Uma fonte do comando do Hamas na Faixa de Gaza disse que 5 mil casas, 16 prédios governamentais e 20 mesquitas foram destruídas. Outras 20 mil casas foram danificadas. Durante a ofensiva, Israel afirmou que as mesquitas eram usadas pelo militantes como depósito de armas.

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, anunciou que seu país doará 1 bilhão de dólares para a reconstrução da Faixa de Gaza. Israel reabriu três postos de controle nas fronteiras, a fim de permitir que mais produtos básicos sejam enviados ao território, onde vivem mais de 1,5 milhão de palestinos.

A crise marcou os últimos dias do governo de George W. Bush, que termina na terça-feira, e mostrou as dificuldades que o Oriente Médio reserva para o sucessor dele, Barack Obama.

Enquanto os palestinos saíam de seus esconderijos boquiabertos com a morte de 1.300 concidadãos e com a destruição generalizada de casas e patrimônio público, o chefe do governo do Hamas apontava uma "vitória popular" contra Israel.

"O inimigo fracassou em alcançar seus objetivos", disse Ismail Haniyeh em discurso.

A trégua declarada pelo Hamas, condicionada à retirada de Israel dentro de uma semana, foi "sábia e responsável", segundo ele. Abu Ubaida, porta-voz do braço armado do Hamas, disse que "todas as opções ficariam abertas" se Israel não desocupar Gaza.

Israel iniciou essa ofensiva prometendo "mudar a realidade" nas cidades do sul do país que desde 2001 sofrem disparos de foguetes caseiros do Hamas e de outros grupos palestinos.

Embora tenha havido saraivadas esporádicas no domingo, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, declarou a missão cumprida, citando os esforços diplomáticos dos EUA, do Egito e de países europeus para impedir o rearmamento do Hamas.

Isso significaria medidas ainda não-especificadas para impedir o grupo de contrabandear armas por túneis sob a fronteira Gaza-Egito, uma atividade que o Cairo no passado tentou minimizar.

O ministro israelense da Segurança Interna, Avi Dichter, ameaçou uma reação militar a qualquer nova tentativa de contrabando de armas na Faixa de Gaza, o que Israel veria como um ataque ao seu território.

Por enquanto, a situação de Gaza está bastante semelhante à de antes do conflito - um impasse armado e um futuro sombrio para 1,5 milhão de pessoas cercadas dentro do território por um bloqueio destinado a punir o Hamas pelos foguetes disparados e por ter a ambição de destruir Israel.

(Reportagem adicional de Yannis Behrakis na fronteira Gaza-Israel, Adam Entous, Luke Baker, Alastair Macdonald, Alistair Lyon e Ori Lewis em Jerusalém e Alaa Shahine no Cairo)

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