Hamas e Israel resistem a enterrar trégua após vários dias de hostilidades

Jerusalém, 16 nov (EFE).- A trégua na Faixa de Gaza entre o movimento islâmico Hamas e Israel se tornou frágil após 12 dias de ataques e represálias mútuas, embora as duas partes resistam a enterrá-la de vez por satisfazer suas necessidades atuais.

EFE |

Após quase quatro meses e meio de calma incomum, uma incursão israelense no dia 4 de novembro para destruir um túnel subterrâneo matou seis milicianos do Hamas e gerou um novo ciclo de violência.

Desde então, o cessar-fogo, assinado em 19 de junho com mediação do Egito, continua tecnicamente em vigor até dezembro, mas as duas partes o violam diariamente.

No entanto, nem Israel nem Hamas se aventuram a assinar a ata de fim do cessar-fogo, como sugere Efraim Inbar, diretor do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat da Universidade Bar-Ilan, nos arredores de Tel Aviv.

"Trégua, que trégua?", se pergunta com ironia o analista, que acredita que o círculo vicioso de represálias continuará por causa da proximidade das eleições legislativas em Israel, em 10 de fevereiro.

O líder do partido oposicionista Likud, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, desponta à frente como favorito para as eleições de fevereiro graças a seu passado de "duro".

Os analistas estão divididos neste sentido. Alguns atribuem à "síndrome pré-eleitoral" a incursão que desencadeou o retorno à batalha, enquanto outros o avaliaram como necessário frente ao risco de que o Hamas capture outro soldado israelense para usá-lo como moeda de troca por presos palestinos.

Por sua parte, o Hamas "necessita do cessar-fogo, pois sabe da assimetria do conflito e quer calma após anos de castigo", argumenta o Hillel Frisch, também do Centro de Estudos Estratégicos Begin-Sadat.

Em qualquer caso, as alternativas à trégua não são muito atraentes para o movimento islâmico, pois nem a comunidade internacional nem a própria Autoridade Nacional Palestina (ANP) fizeram o suficiente para acabar com a rotina israelense de pequenas incursões, assassinatos seletivos e fechamento das passagens fronteiriças que precedia a trégua.

Segundo analistas, os próximos dias serão cruciais para determinar o futuro do cessar-fogo, pois se as hostilidades se prolongarem, possivelmente não haverá como voltar atrás. EFE ap/wr/fal

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