Hamas diz ver mudanças em discurso dos EUA após posse de Obama

Roma, 22 mar (EFE).- O líder do Hamas no exílio, Khaled Mashaal, enxerga nos Estados Unidos sinais de um novo discurso desde a posse do presidente Barack Obama.

EFE |

Em entrevista publicada hoje pelo jornal italiano "La Repubblica", Mashaal diz que "do presidente Obama chega uma nova linguagem a respeito da região".

"O desafio para todos é que seja o prelúdio de uma mudança sincera na política americana e europeia", acrescenta.

Quanto à aceitação ao Hamas, Mashaal diz que "é uma questão de tempo".

"As grandes potências precisam de nós para resolver o conflito entre árabes e israelenses. Nosso peso na questão palestina deriva de nosso arraigo na sociedade, no povo, que votou em nós e voltará a fazê-lo. Nem mesmo o conflito em Gaza nos desbancou. Estamos e continuaremos estando sobre a mesa dos líderes mundiais", declarou à publicação.

Na entrevista, o líder do grupo islâmico diz esperar a chegada do dia em que a única opção para eles seja o "instrumento político e os critérios pacíficos", mas isso, destacou, depende dos outros.

"É o sistema de ocupação que não deixa resquícios. Vejo a cada dia novas casas demolidas, terras confiscadas, os assentamentos e o muro que avançam, a divisão física entre Gaza e Cisjordânia, uma Jerusalém cada vez mais hebraica, o cerca a Gaza, e, além disso, assassinatos e detenções", enumera Mashaal.

"Se as coisas continuarem assim, como Israel pode esperar a paz? Estamos obrigados a continuar sobre a dupla plataforma da política e da resistência", argumenta Mashaal.

O líder político do Hamas no exílio não acha que a posição do grupo de não reconhecer o Estado de Israel seja um problema para o alcance da paz na região. Mas, ao mesmo tempo, ele diz não estar fechado à modificação de algum de seus pontos.

A mudança "não virá por ordem externa. Somos nós os que não temos um Estado. De todas as formas, nossas posições verdadeiras estão no texto do acordo nacional aprovado em 2006 pelo conjunto de partidos e facções. Basta lê-lo", diz Mashaal ao "La Repubblica".

Este texto "coincide com nosso programa político: um Estado palestino nas fronteiras de 4 de junho de 1967, incluindo Jerusalém Oriental e o reconhecimento ao retorno dos refugiados. Como foi acordado em Meca, delegamos à Autoridade Nacional Palestina a negociação com Israel e o resultado deverá ser levado ao Parlamento ou a plebiscito", conclui. EFE mcs/sc

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