Hamas diz que pode estudar nova trégua com Israel

GAZA - O Hamas poderia considerar a renovação da trégua firmada este ano com Israel na Faixa de Gaza, mas quer garantias de que o Estado judaico vai interromper as incursões no território e manter abertos os postos de passagem na fronteira para o transporte de ajuda e combustível, disse nesta terça-feira um porta- voz do grupo palestino.

Reuters |


Os líderes do Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza, haviam inicialmente descartado a idéia de prorrogar a trégua de seis meses negociada pelo Egito, que foi encerrada na última sexta-feira. Desde então, militantes palestinos intensificaram os disparos de foguetes através da fronteira, elevando as tensões com Israel.

Mas o porta-voz Fawzi Barhoum afirmou que o Hamas e outras facções de Gaza estão agora preparados para estudar ofertas de renovação da trégua.

O fechamento dos postos de fronteira por Israel ampliou as privações na Faixa de Gaza, um enclave onde vive 1,5 milhão de pessoas, forçando a principal usina de energia elétrica do local a fechar e as agências internacionais de ajuda a suspender temporariamente a distribuição de alimentos..

A aparente mudança de posição do Hamas surgiu dois dias antes de conversações programadas para o Cairo entre o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e a ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, uma das principais candidatas para suceder Ehud Olmert como primeiro-ministro, na eleição de fevereiro.

O anúncio também se seguiu a um acordo entre o Hamas e o grupo militante Jihad Islâmica para interromper temporariamente os ataques de foguetes, a pedido dos egípcios.

Nas últimas 48 horas o Exército israelense informou que cinco foguetes e uma granada de morteiro foram disparados contra Israel, uma redução significativa em relação às dezenas lançados no fim de semana.

Autoridades egípcias deram poucos detalhes sobre o que poderá ser discutido na quinta-feira. "Os egípcios querem levantar a questão integral da trégua e evitar que Israel invada Gaza", disse um funcionário israelense do alto escalão.

Assessores de Olmert dizem que Israel está preparado para cumprir seus compromissos em um cessar-fogo, mas somente se o Hamas impuser a trégua a todas as facções de militantes em Gaza.

Não ficou claro se Israel concordaria em dar garantias para a abertura da fronteira, já que isso poderia limitar suas opções no futuro.

Israel culpa o Hamas pelo fim da trégua, dizendo que os postos de fronteira foram frequentemente fechados em resposta aos ataques de foguete -- que normalmente causam poucos danos -- e outras ameaças.

Mas tanto Israel como o Hamas enviaram mensagens confusas sobre suas intenções, tentando evitar uma outra irrupção de hostilidades sem parecerem fracos.

(Nidal al-Mughrabi)

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