DUBAI - O Hamas não vai aceitar as condições de Israel para um cessar-fogo e vai manter a resistência armada até o fim da ofensiva, disse nesta sexta-feira Khaled Meshaal, liderança do grupo islâmico palestino.

"Apesar de toda a destruição em Gaza, não aceitamos as condições de Israel para um cessar-fogo, já que a resistência em Gaza não foi derrotada", declarou Meshaal.

Meshaal, que falou durante a abertura de uma reunião de emergência sobre Gaza realizada em Doha (Catar), pediu aos líderes presentes que cortem relações com o Estado israelense. 

Os países árabes estão divididos sobre a oportunidade desta cúpula a respeito da ofensiva israelense em Gaza. A reunião foi boicotada por vários países árabes, incluindo o Egito e a Arábia Saudita.


Meshaal, ao centro, afirmou que o Hamas não aceitará condições de Israel / AP

Suposta trégua de um ano

Durante as negociações de paz no Egito, o movimento islâmico palestino Hamas teria aceitado uma trégua nas hostilidades a partir de amanhã na Faixa de Gaza, que poderia se transformar em um cessar-fogo de um ano, informou hoje o jornal saudita internacional "Asharq al-Awsat" , que não cita nenhuma fonte.

Segundo o jornal, o Hamas e as autoridades egípcias - o Egito está intermediando separadamente entre o grupo palestino e Israel - definiram um plano de cinco pontos para colocar fim ao conflito em Gaza, que já dura três semanas.

O cessar-fogo teria duração de um ano e seria examinado antes de terminar. A informação do jornal não foi confirmada ou desmentida por nenhuma fonte egípcia ou palestina. O jornal israelense Haaretz afirma que autoridades de Israel enxergam a proposta " com reservas ".

Nesta sexta-feira, o negociador israelense Amos Gilad e uma delegação do Hamas retornaram ao Cairo para prosseguir separadamente as conversas com as autoridades egípcias.


Família de palestinos olham o estrago na Cidade de Gaza / AP

ONU pede trégua

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta sexta-feira na cidade cisjordaniana de Ramallah que "está muito perto" de conseguir um cessar-fogo na Faixa de Gaza e pediu que Israel pare as hostilidades inclusive antes do acordo.

O porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, afirmou que seu país espera que a guerra em Gaza termine logo. "Espero que estejamos chegando ao fim da guerra, disse Regev.

"Evidentemente, isto não depende de nós", completou, em referência à postura do grupo radical palestino Hamas, contra o qual Israel lançou em 27 de dezembro uma ofensiva na Faixa de Gaza que já matou mais de 1.100 palestinos.

Ataques mantidos

A aviação de Israel realizou 40 ataques contra alvos na Faixa de Gaza na madrugada de quinta-feira para sexta-feira, anunciou um porta-voz militar.

"Os alvos foram seis grupos armados, uma mesquita no norte da Faixa de Gaza onde havia armas, quatro túneis e duas posições de combatentes do Hamas", afirmou a fonte.

O Exército anunciou uma interrupção de quatro horas dos ataques a partir das 8h GMT (6h00 de Brasília), para permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, mas destacou que se reserva o direito de responder no caso de disparos contra suas forças ou contra seu território.

O Estado hebreu autorizou a passagem de 130 caminhões com alimentos, medicamentos e combustível, anunciou o porta-voz da administração militar, Peter Lerner.


Israel manteve nesta sexta-feira os ataques / AP

Ataque contra a ONU

Ontem, a sede central da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), na Cidade de Gaza, foi bombardeada e o fogo destruiu os armazéns, que, além de ter ajuda humanitária e combustível, abrigava centenas de pessoas.

Em suas reuniões com dirigentes israelenses ontem, Ban mostrou sua "indignação" pelo ataque, que, segundo o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, aconteceu em resposta ao disparo de milicianos a partir dessa sede contra forças israelenses.

21º dia de ataques:

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