Hamas diz que deu parecer ao Egito sobre plano para Gaza

CAIRO - O movimento palestino Hamas disse nesta quarta-feira ter fornecido ao Egito suas impressões sobre o plano de cessar-fogo para Gaza proposto pelo governo egípcio. O movimento apresentou uma visão detalhada às lideranças egípcias, com quem não há nenhum desacordo. A questão se refere a diferenças sobre como tratar com o inimigo sionista (Israel) em relação às condições desta iniciativa, disse a autoridade do Hamas Salah al-Bardawil.

Redação com agências internacionais |


Bardawil se negou, durante uma entrevista à imprensa no Cairo, a dar detalhes da resposta do Hamas ao plano, que poderia colocar fim aos 19 dias de enfrentamentos entre Israel e o Hamas em Gaza.

As declarações do dirigente do Hamas foram feitas pouco após o porta-voz do Hamas na Síria, Ali Barakeh, ter afirmado que o grupo tinha aceitado o plano egípcio se a Turquia fosse a fiadora e se, em vez de tropas internacionais, observadores fiscalizassem o cumprimento do acordo.

Horas depois, o dirigente do Hamas no Líbano, Osama Hamedan, negou que a organização tivesse aceitado a iniciativa egípcia e disse que ainda existem diferenças sobre esse plano para colocar fim às hostilidades na Faixa de Gaza.

Um porta-voz do premiê israelense, Ehud Olmert, disse que Amos Gilad, autoridade da área de Defesa de Israel, viajará na quinta-feira ao Cairo para discutir um cessar-fogo em Gaza.

"Não temos tempo a perder"

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que chegou ao Egito nesta quarta-feira, voltou a pedir o cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e prometeu redobrar seus esforços para assegurar o fim da ofensiva.

"Peço às duas partes que cessem os combates já, pois não há tempo a perder", afirmou Ban Ki-moon aos jornalistas, depois de um encontro com o presidente egípcio Hosni Mubarak no início de uma viagem pelo Oriente Médio.

O encontro com Mubarak, no Cairo, foi a primeira parada de Ban em uma visita que incluirá ainda Jordânia, Israel, Turquia, Líbano, Síria, Kuweit e Cisjordânia.

Segundo a ONU, Ban começou sua viagem "frustrado e preocupado" com as recusas do governo de Israel e do movimento palestino Hamas de acatar a resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Balanço da ofensiva

O balanço da ofensiva israelense na Faixa de Gaza alcançou os mil mortos, anunciou nesta quarta-feira o chefe dos serviços de emergência do território palestino.


Mulher palestina chora durante funeral de um dos militantes do Hamas / AP

"O número de mártires alcançou 1.001 desde o início da ofensiva contra a Faixa de Gaza e o de feridos supera 4.580", declarou o doutor Muawiya Hassanein à AFP.

Em 27 de dezembro Israel empreendeu uma operação militar contra o movimento radical palestino Hamas na Faixa de Gaza para, segundo as autoridades, pôr fim ao disparo de foguetes contra seu território.


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