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Hamas diz que confronto continuará mesmo que Israel decrete cessar-fogo

O confronto com Israel continuará mesmo que o Estado hebreu decrete um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza, afirmou neste sábado à AFP um dirigente do movimento islâmico palestino Hamas, Osama Abu Hamdane.

AFP |

"Esse cessar-fogo unilateral não contempla a retirada do Exército israelense e, enquanto este permanecer em Gaza, continuarão a resistência e o confronto", disse Hamdan, representante do Hamas em Beirute, contatado por telefone no Cairo.

Segundo ele, o cessar-fogo "é uma tentativa de evitar o plano egípcio" de trégua negociada.

Israel manteve os bombardeios neste sábado contra a Faixa de Gaza antes de anunciar se inicia um cessar-fogo unilateral em sua guerra contra o Hamas, que ameaçou continuar combatendo enquanto o Exército permanecesse em território palestino.

O gabinete de segurança israelense se reunirá por volta das 17h30 GMT (15h30 de Brasília) para votar uma decisão de cessar-fogo unilateral depois de 22 dias de operações militares. Após a reunião, o primeiro-ministro Ehud Olmert e seu ministro da Defesa Ehud Barak devem conceder uma entrevista coletiva à imprensa.

Israel decidiu cessar a operação "Chumbo Grosso", a mais vasta e mortal campanha militar israelense já lançada em Gaza, após ter recebido garantias americanas para o fim do contrabando de armas para o território palestino, segundo um alto funcionário do governo.

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice assinou com sua colega israelense Tzipi Livni um acordo bilateral com essa finalidade, mas seu colega egípcio Ahmed Abul Gheit afirmou que seu país não estava "vinculado" a esse acordo.

Segundo a rádio militar israelense, Olmert poderá viajar ao Egito neste domingo para assinar um acordo permitindo o estabelecimento do mecanismo de vigilância internacional da fronteira entre Gaza e o território egípcio.

"O gabinete de segurança deve votar em favor de um cessar-fogo unilateral (...) após a assinatura de um acordo em Washington e de progressos significativos obtidos no Cairo", disse o alto-funcionário do governo. "As forças israelenses permanecerão em Gaza após" o cessar-fogo, acrescentou, ressaltando que Israel se reservava o direito de responder a qualquer ataque do Hamas.

"Esse cessar-fogo unilateral não contempla a retirada" do Exército israelense e, "enquanto este permanecer em Gaza, a resistência e o confronto continuarão", disse Hamdan, representante do Hamas em Beirute, contatado por telefone no Cairo. Um cessar-fogo unilateral "é uma tentativa de contornar o plano egípcio".

O presidente egípcio Hosni Mubarak, por sua vez, pediu a Israel que ponha fim "imediatamente" e "sem condições" a seu ataque à Faixa de Gaza e que retire todas as suas forças do território palestino, em um discurso transmitido pela televisão pública. O Egito também convocou uma reunião de chefes de Estado para discutir o conflito neste domingo em Sharm el-Sheik.

Desde o início do conflito, no dia 27 de dezembro, que custou a vida de 1.203 palestinos, o Egito iniciou uma mediação para tentar obter um cessar-fogo negociado entre Israel e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Em uma crítica virulenta a Israel, Abul Gheit denunciou "a intransigência israelense" que, segundo ele, bloqueia os esforços diplomáticos de seu país.

Uma delegação do Hamas se encontra no Cairo para continuar as negociações com as autoridades egípcias, mas Hamdane advertiu que não iria "rediscutir tudo a partir do zero".

Os líderes do Hamas no exílio exigem um cessar-fogo por parte de Israel, assim como a retirada das tropas israelenses, o fim do bloqueio e a abertura de todos os postos de fronteira do território.

Um dos principais objetivos de Israel durante suas operações foi tentar cortar os túneis por onde entravam armamentos para os militantes do Hamas por meio de bombardeios.

No terreno, uma mulher e uma criança morreram na manhã deste sábado no bombardeio israelense a uma escola administrada pelas Nações Unidas em Beit Lahiya, norte da Faixa de Gaza, onde civis haviam buscado refúgio, indicaram fontes médicas e testemunhas.

Onze pessoas ficaram feridas no bombardeio, que causou um incêndio, segundo as fontes.

Intensos combates foram registrados em torno da escola, onde o Exército israelense, com o apoio de blindados, enfrentava ativistas palestinos, indicou.

O Exército israelense não concedeu informações a respeito do incidente até o momento.

Em outro episódio, uma menina de dois anos morreu vítima de un obus israelense em Beit Hanun, norte da Faixa de Gaza.

Outro obus, disparado por um blindado israelense, matou três palestinos em Karama, norte, segundo fontes médicas palestinas.

Essa é pelo menos a quarta vez que uma escola administrada pela agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos em Gaza é alvo de um bombardeio israelense desde o início da ofensiva do Exército israelense contra este território palestino, no dia 27 de dezembro.

Em 6 de janeiro, um ataque israelense nas imediações de uma escola gerida pela ONU no norte da Faixa de Gaza deixou 43 mortos e mais de cem feridos, segundo fontes palestinas.

Israel indicou que suas forças revidaram ataques com tiros de morteiro provenientes da escola, antes de retificar essas declarações após um firme desmentido da ONU.

bur-mel/dm

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