Hamas disposto a reconhecer Israel com base nas fronteiras de 1967 (escritor francês)

O Hamas estaria disposto a reconhecer Israel tendo como base as fronteiras de 1967, declarou durante a semana à AFP o escritor judeu francês Marek Halter que se reuniu mês passado com Khaled Mechaal, o líder em exílio do movimento islamita palestino.

AFP |

"Disse-me que o Hamas estaria disposto a reconhecer Israel com as linhas estabelecidas em 4 de junho de 1967. Repetiu isto em várias ocasiões", destacou Halter que conversou com Mechaal às vésperas da ofensiva israelense a Gaza.

O encontro foi organizado em Damasco por assessores do presidente sírio Bachar al-Assad, precisou o escritor.

Halter afirmou ter comunicado as declarações de Khaled Mechaal ao ministro israelense Ehud Olmert e à ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni. "Estávamos no segundo dia da ofensiva e não reagiram", contou.

O escritor é partidário de um diálogo entre o Ocidente e o Hamas, que até agora se recusa a reconhecer Israel.

"Parto do princípio de que é preciso falar com os inimigos. A partir do momento que aceitam conversar, deixaram de lado a kalashnikov e estão na mesma frente", explicou.

O dirigente islamita assegurou ao escritor que era "pessoalmente, garante" da vida do soldado franco-israelense Gilad Shalit prisioneiro de seu movimento.

Também contou que tentou por duas vezes assassinar o líder da direita israelense, Benyamin Netanyahu.

"Disse-me 'que tentou dois complôs contra ele. Não teve êxito. Como Netanyagu tampouco conseguiu matar-me com uma tentativa de envenenamento. É a vontade de Alá. Se amanhã estiver no poder e aceitar discutir comigo tendo como base o dia 4 de junho de 1967, conversarei com ele. Será divertido: eu não sinto ódio", relatou ele a Marek Halter.

O movimento islâmico Hamas impôs-se desde a vitória nas legislativas de 2006 como força inquestionável no tabuleiro de xadrez palestino.

O Hamas, que controla Gaza desde junho de 2007, recusou-se a prolongar em 19 de dezembro a trégua com Israel, acusando o Estado hebreu de manter o território palestino sob bloqueio.

Inimigo jurado de Israel por ser considerado organização terrorista, o Hamas viu sua popularidade aumentar nos territórios palestinos e sobretudo em Gaza nos últimos anos em detrimento do Fatah de Mahmud Abbas, apoiado pelo Ocidente.

Acrônimo em árabe de "Movimento da Resistência Islâmica", o Hamas, cujo chefe Khaled Mechaal mora em Damasco, desenvolveu uma ampla rede de ajuda social a instituições, principalmente escolas.

Esta rede explica a influência crescente desde sua criação em 14 de dezembro de 1987, pouco depois do início da primeira Intifada, a revolta palestina, por um grupo de militantes chamado "Irmãos muçulmanos".

Oposto ferrenho aos acordos de Oslo de 1993 que desembocaram na criação da Autoridade Palestina, o Hamas defende a criação de um Estado islâmico ocupando a área total da Palestina histórica, do Mediterrâneo à Jordânia, ou seja englobando Israel, do qual prega a destruição.

O Hamas é responsável pela grande maioria dos atentados suicidas contra israelenses nos últimos anos e assume inúmeros tiros de foguetes e obuses de morteiro lançados de Gaza contra o sul de Israel.

Em 2006, o Hamas criou uma Força executiva para contra-atacar a supremacia do Fatah sobre os órgãos de segurança, cujo controle foi uma das principais causas do conflito entre os dois movimentos rivais que terminou na violenta tomada do controle de Gaza pelo movimento islamita em 2007.

Em 18 meses no poder, reforçou seu controle em Gaza, onde dispõe de importantes serviços de segurança empregando milhares de fiéis, sem esquecer o braço militar do movimento, as Brigadas Ezzedine Al-Qassam.

O governo que formou, dois meses após sua vitória nas legislativas de janeiro de 2006, foi boicotado financeira e diplomaticamente pela comunidade internacional, pois o Hamas está na lista das organizações terroristas da União Européia e dos Estados Unidos.

Quando a situação econômica e humanitária decorrente do boicote piorou em Gaza, a luta pelo poder entre o Fatah e o Hamas se traduziu na prática por enfrentamentos que deixaram centenas de mortos.

O fundador e chefe espiritual do Hamas, Ahmad Yassine, e seu sucessor Abdelaziz al-Rantissi foram assassinados por Israel em 2004.

ao/hr/sd

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