Hamas coloca em prática pena de morte em Gaza e executa dois

Pela primeira vez desde que tomou à força o controle da Faixa de Gaza, em junho de 2007, o grupo islâmico Hamas implementou nesta quinta-feira a pena de morte executando a tiros dois palestinos acusados de colaboração com Israel. Os dois palestinos, um do campo de refugiados de Jebaliah, no norte da Faixa de Gaza, e um da cidade de Rafah, no sul da região, foram executados a tiros, depois que um tribunal do Hamas os condenou por acusações de traição e de colaboração com Israel.

BBC Brasil |

Segundo as acusações, Mohamed Ismail e Nasser Abu Freij teriam cooperado com Israel durante a chamada Operação Chumbo Fundido - a ofensiva israelense à Faixa de Gaza em dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O tribunal do Hamas condenou mais oito palestinos à pena de morte por acusações semelhantes, porém as execuções ainda não foram realizadas.

Organizações de defesa dos direitos humanos palestinas e internacionais haviam protestado contra a pena de morte e dirigido um apelo ao governo do Hamas na Faixa de Gaza para impedir a execução.

O ministro do Interior do governo do Hamas, Fathi Hamad, apoiou a execução, apesar dos protestos.

Autorização por escrito
De acordo com a lei na Autoridade Palestina, em casos de pena de morte a execução deve ser autorizada por escrito pelo presidente palestino, que atualmente é Mahmoud Abbas, membro da facção rival, o Fatah.

A execução da pena de morte sem a autorização de Abbas é considerada uma violação da lei palestina, e aprofunda mais ainda a divisão entre a Faixa da Gaza e a Cisjordânia (controlada pelo Fatah), do ponto de vista legislativo.

Esta não é a primeira vez em que membros do Hamas matam a tiros palestinos acusados de colaboração com Israel.

Durante a ofensiva israelense, há um ano e meio, pelo menos seis pessoas foram mortas a tiros nas ruas de Gaza, sem julgamento algum.

Naquela época líderes do Hamas afirmaram que os "traidores" foram pegos em flagrante quando orientavam as tropas israelenses, por intermédio de telefones celulares, sobre a localização exata de alvos a serem bombardeados.

A diferença principal é que nesta quinta-feira a pena de morte foi executada depois de um suposto julgamento, ao final do qual foi emitida a sentença.

Além de protestar contra a pena de morte, o Centro Palestino de Direitos Humanos e os grupos de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch e a Anistia Internacional questionaram o procedimento da corte do Hamas, argumentando que os réus não tiveram o direito a uma defesa adequada.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG