Hamas apresenta seu 1º longa-metragem

Saud Abú Ramadán. Gaza, 21 jul (EFE).- O Hamas apresentou na Faixa de Gaza o primeiro longa-metragem produzido e composto integralmente pelo grupo, que narra a vida de um miliciano morto por Israel em 1993.

EFE |

O filme intitulado "Emad Akel", nome do miliciano, custou US$ 200 mil e será exibido durante esta semana em acampamentos de verão e centros culturais filiados ao movimento islâmico na Faixa de Gaza, depois de sua estréia oficial, na sexta-feira.

A estreia foi feita no salão de atos da Universidade Islâmica de Gaza e contou com a presença da cúpula do Hamas, assim como celebridades locais: uma audiência seleta composta por homens barbados e mulheres cobertas com a tradicional burka muçulmana.

O roteiro do filme é obra do destacado dirigente do movimento Mahmoud Zahar e conta a história de Emad Akel, comandante das Brigadas de Ezedin al-Qassam, braço armado do Hamas, e é apresentado como "símbolo de luta".

Sobre o protagonista do filme, Zahar considera que "este herói de somente 23 anos, que se sacrificou em nome da Palestina, é um bom exemplo; temos milhares de exemplos como ele".

"Por esta razão encorajamos outros a escreverem, atuarem e participarem, para construir uma cultura, a cultura da resistência, a cultura da dignidade e de uma vida moral", disse.

O diretor do filme, Majed Jendeya afirmou que "Akel representa a nova escola militar na história da luta armada palestina em geral.

Ele pôs a pedra de fundação para a resistência armada mais recente".

Logo após o fim da projeção, o novo ministro do Interior do Hamas, Fafji Hamad foi mais longe: "Isto é um Hamaswood, em vez de Hollywood".

"Fazemos filmes de qualidade que se centram na resistência e não mostram cenas provocativas e imorais", afirmou Hamad.

A filmagem durou dez meses e, apesar do bloqueio sobre Gaza, foi rodado em um terreno no sul da faixa, que o Hamas espera algum dia transformar em uma grande "cidade da imagem", obra cujo custo chega a US$ 200 milhões.

Como parte deste grande projeto, o movimento já opera uma televisão por satélite com sede em Gaza, uma rádio e dezenas de sites de notícias, todos ligados ao movimento, além de dois jornais editados na capital da faixa e proibidos na Cisjordânia pelo presidente palestino e rival, Mahmoud Abbas.

No entanto, Gaza não conta com salas de cinema. Todas foram fechadas no final dos anos 80, pouco depois do início da Primeira Intifada (revolta contra Israel).

As seis salas de cinema de Gaza foram sendo fechadas uma após a outra naquela época, porque os ativistas palestinos consideravam inadequado o entretenimento em tempos de luta.

Somente um cinema chamado al-Nasser foi reaberto em Gaza em 1995, mas só por três meses, pois foi incendiado e destruído por seguidores do movimento islamita.

Hoje, o Hamas, que controla a faixa desde junho de 2007, volta a pensar sobre o cinema, que além de injetar uma dose de ideologia islâmica nos cidadãos, também serve para distrair a população dos sofrimentos cotidianos.

E, para isso, recuperou a história do mítico miliciano morto em um ataque israelense na Cidade de Gaza, conhecido com o apelido de "fantasma" pelas vestimentas que usava e com as quais chegou a se disfarçar de colono judeu, com "kipá" e tudo.

No início dos anos 90, Akel liderava a lista dos mais procurados de Israel, por sua suposta participação no assassinato de 11 soldados israelenses, além de ter sido considerado responsável pela morte de civis israelenses e de quatro palestinos colaboradores com Israel.

O filme conta como foi a fundação do Hamas, em 1988, após o início da luta contra a ocupação israelense.

"A resistência começou como um conceito, uma ideia para rejeitar a ocupação e a injustiça, para glorificar os heróis que servem ao interesse nacional dos palestinos comprometidos com sua religião", ressaltou Zahar. EFE sar-db/pd

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