Hamas anuncia que devolverá ajuda humanitária confiscada à ONU

O movimento de resistência islamita palestino Hamas anunciou nesta sexta-feira que vai devolver as toneladas de ajuda humanitária que confiscou da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA) em Gaza, afirmando ter se tratado de um engano.

AFP |

"O ministro para Asuntos Sociais do governo do Hamas, Ahmed al Kurd, deu a ordem de resolver o problema e assegurar que as ajudas sejam restituídas", afirmou um porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum.

"As ajudas foram confiscadas por engano no ponto de passagem onde não havia nenhum representante do governo", acrescentou.

Num comunicado anterior, a UNRWA havia anunciado a suspensão de suas entregas de ajuda na Faixa de Gaza depois que centenas de toneladas de alimentos foram confiscada pelo governo do Hamas.

Segundo comunicado da UNRWA, o ministério de Assuntos Sociais do Hamas confirscou na madrugada desta sexta 200 toneladas de arroz e farinha transportadas em dez caminhões. Este seria o segundo incidente do tipo em três dias.

"No último dia 3, 3.500 cobertores e mais de 400 pacotes de alimentos foram tomados por homens armados num centro de distribuição no acampamento de Chati, em Gaza", afirma ainda o texto.

Na quarta-feira, o diretor de Assuntos Humanitários das Nações Unidas, John Holmes, já havia condenado o confisco da ajuda humanitária pelos homens do Hamas e exigido a restituição imediata dos mantimentos.

"As Nações Unidas não podem aceitar, sob nenhuma circunstância, o desvio da ajuda humanitária por uma das partes do conflito", declarou Holmes através de um comunicado.

Holmes advertiu que tal ato pode comprometer o abastecimento da ajuda, num momento em que a ONU e seus parceiros recorrem a todos os meios possíveis para satisfazer as necessidades humanitárias mais básicas da população de Gaza.

O Hamas, que controla Gaza desde 2007, justificou a medida afirmando que cabia ao grupo distribuir a ajuda para todos os palestinos, e não apenas para os refugiados.

"Somos responsáveis por 1,5 milhão de palestinos na Faixa de Gaza. Rejeitamos qualquer distinção discriminatória", declarou, numa admissão implícita da apreensão da ajudaó.

az-ezz-mel/cn

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