Gaza, 23 abr (EFE).- O ex-primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh, líder do movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, afirmou hoje que sua organização não reconhecerá Israel, mas sim a criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967.

Haniyeh defendeu o estabelecimento de um Estado palestino nas fronteiras anteriores a 1967 em vez de todo o território da Palestina histórica, como reivindica a carta de fundação do Hamas - livre de assentamentos judaicos, com Jerusalém como capital e com aceitação do retorno de seus refugiados.

O ex-premiê fez essas declarações à imprensa durante a inauguração de um hospital pediátrico na Cidade de Gaza, na mesma linha das declarações feitas na segunda-feira pelo líder do escritório político do Hamas no exílio, Khaled Meshaal.

"O problema não está nos palestinos, no Hamas ou nas facções de resistência. O problema está na ocupação, que também não reconhece as fronteiras de 1967", disse Haniyeh se referindo aos territórios que Israel ocupou durante a Guerra dos Seis Dias - Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.

O líder do Hamas em Gaza também insistiu que não haverá nenhum cessar-fogo com Israel que não inclua o território ocupado da Cisjordânia, em alusão a uma proposta do Egito divulgada pelos meios de comunicação esta semana para um acordo de trégua com o Estado judeu que se limitaria à faixa mediterrânea.

"O cessar-fogo, se fosse aceito pela ocupação israelense, deve ser mútuo, integral e aplicável tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza sob um acordo nacional palestino", declarou.

Segundo ele, o próximo passo para a paz depende de Israel.

As declarações de Haniyeh acontecem no mesmo dia em que uma delegação do Hamas viaja ao Cairo para continuar as negociações que tentam conseguir uma trégua com Israel.

Os serviços de inteligência egípcios estão intermediando separadamente com o Hamas e Israel o fim dos enfrentamentos em Gaza, mas os islâmicos exigem que o cessar-fogo se estenda a todos os territórios palestinos.

"A calma deve enfatizar a união nacional da terra e do povo palestino. Seu mecanismo está condicionado à suspensão das agressões, à interrupção do embargo e à reabertura das passagens fronteiriças", destacou Haniyeh.

Desde junho de 2007, quando o Hamas expulsou as forças leais ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, de Gaza e tomou o controle da Faixa, Israel mantém um bloqueio a este território.

Haniyeh também aproveitou a ocasião para pedir a reativação do diálogo entre o movimento islâmico e o Governo de Abbas, que controla a Cisjordânia.

"Fazemos um pedido pelo fim das divisões internas palestinas e que para que nos afastemos da pressão dos Estados Unidos, que veta o diálogo nacional palestino", disse Haniyeh, que acrescentou que seu povo não se ajoelhará nem perante a Administração americana nem perante Israel". EFE sar/wr/fb

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