Hamas adverte em seu 22º aniversário que libertará toda Palestina

Saud Abu Ramadã. Gaza, 14 dez (EFE).- O movimento islamita palestino Hamas advertiu hoje no 22º aniversário de sua criação que nunca reconhecerá o Estado de Israel e que o atual controle de Gaza é só o primeiro passo para libertar toda a Palestina.

EFE |

Assim destacou o chefe do Governo do Hamas na faixa, Ismail Haniyeh, diante de dezenas de milhares de pessoas reunidas por causa das comemorações na emblemática Al-Katiba, situada no centro da Gaza capital e conhecida como a "Praça Verde".

"A partir do mar (Mediterrâneo) até o rio (Jordan), a Palestina é uma herança islâmica que não está submissa a nenhuma concessão", proclamou Haniyeh aos presentes, muitos deles empunhando bandeiras e retratos dos líderes e mártires do movimento.

"Hamas não vai se contentar com a libertação de Gaza, quer também a libertação de toda Palestina, do mar ao rio" disse, antes de detalhar que a retirada israelense e a tomada de controle da faixa "é só um passo no caminho de uma libertação completa".

"A ocupação não freará nosso empenho", afirmou Haniyeh.

O líder do Hamas chamou ao rival movimento nacionalista Fatah do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a somar-se a ele em um processo de reconciliação.

"Chamamos ao movimento Fatah e às outras facções (palestinas) para adotarmos uma reconciliação geral como estratégia. Terminemos com a divisão para poder dedicarmos nossos esforços unificados a Jerusalém e ao nosso povo", disse.

"Ninguém pode nos impor condições que não aceitemos ou que não queremos. Hamas é forte e tem sua própria estratégia e poder" acrescentou, em alusão à pressão dos mediadores egípcios para que o movimento islamita aceite os termos de um acordo de reconciliação que já conta com o sinal verde do Fatah.

"Egito deve estudar as observações apresentadas pelo Hamas" explicou, e encorajou ao Cairo a continuar seus esforços de mediação.

Segundo observadores locais, o Hamas tentou mostrar com a manifestação em massa de hoje uma imagem de fortaleza após a última ofensiva israelense em Gaza, que causou mais de 1,4 mil mortes - na maioria de civis - o que em alguns setores da faixa diminuiu popularidade ao movimento islamita.

Surgido em meio a Primeira Intifada contra a ocupação israelense, Hamas foi fundado em 14 de dezembro de 1987 por seu chefe espiritual, o xeque Ahmed Yassin, que foi assassinado em 2004 durante um ataque aéreo de Israel.

Quase duas décadas após a criação, e após uma vasta obra social entre os palestinos e a ininterrupta luta armada contra os israelenses, o movimento islamita garantiu sua importância no cenário regional com sua vitória nas eleições de 2006 sobre o Fatah.

Apontou também sua preponderância em 2007 ao assumir o controle da faixa após expulsar às forças leais à ANP.

Desde então, o Hamas é visto como a principal força da luta armada palestina contra o Estado de Israel.

Segundo disse à Agência Efe na cidade cisjordaniana de Ramala, sede do Governo de Abbas, o deputado islamita e vice-presidente do Parlamento, Mahmoud Ramahi, as forças de segurança da ANP prenderam na Cisjordânia durante o dia 150 seguidores do Hamas, para impedir que os islamitas celebrassem a comemoração nesse território palestino, situação não confirmada por outras fontes. EFE Sa'ar-elb-amg/dm

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