Hamas acusa Israel de assassinar comandante militar do grupo

O grupo islâmico Hamas acusou as autoridades israelenses de assassinar um alto comandante militar do grupo em Dubai. Mahmoud al-Mabhouh, de 50 anos, um dos fundadores das Brigadas Izzedine al-Qassam, morreu como um mártir no dia 20 de janeiro, em circunstâncias suspeitas, disse um comunicado do grupo.

BBC Brasil |

"Nós do Hamas responsabilizamos o inimigo sionista pelo assassinato criminoso de nosso irmão, e prometemos a Deus e ao sangue dos mártires e de nosso povo continuar no caminho da jihad e do martírio."
O Hamas não entrou em detalhes, mas prometeu "retaliar o crime sionista no momento apropriado".

Um porta-voz do governo israelense não quis comentar a acusação, seguindo a política israelense em situações similares.

As autoridades dos Emirados Árabes Unidos também não comentaram o caso.

'Próximo ao líder'
Um membro do gabinete político do Hamas em Damasco, Izzat al-Rishq, disse à BBC que Mabhouh, que vivia na Síria desde 1989, era muito próximo ao líder exilado do grupo, Khaled Meshaal.

O Hamas não divulgou detalhes sobre a morte, mas o irmão de Mabhouh disse à agência de notícias AFP que ele foi morto com um choque elétrico na cabeça.

Foi enviado material a um laboratório de Paris, que "confirmou que ele foi morto por um choque elétrico", disse Fayed al-Mabhouh à AFP.

O Hamas declarou que Mabhouh foi responsável pelo sequestro de dois soldados israelenses em 1989. Eles acabaram sendo mortos.

O comandante também foi responsável por uma série de outros ataques. Por conta desses ataques, as autoridades israelenses acabaram destruindo sua casa na Faixa de Gaza, diz o grupo.

Mabhouh passou vários períodos preso pelas autoridades israelenses. Depois de ser solto pela última vez, "passou sua vida sendo caçado pelo ocupante sionista até que conseguiu deixar a Faixa de Gaza", disse o Hamas.

"Nosso irmão era um alvo para o ocupante sionista desde sua participação na operação de sequestro de dois soldados sionistas, e por seu papel de apoio à resistência."
O corpo de Mabhouh foi levado para a Síria na quinta-feira e o funeral dele deve ser realizado nesta sexta, no campo de refugiados palestino de Yarmouk, nos arredores de Damasco.

Foguetes
As Brigadas Izzedine al-Qassam foram responsáveis por uma série de ataques e atentados suicidas contra soldados e civis israelenses.

No passado, as Brigadas lançaram vários ataques com foguetes da Faixa de Gaza contra cidades israelenses na fronteira.

Os ataques contra áreas civis foram usados como justificativa pelo Exército israelense para a ação de 22 dias na Faixa de Gaza, em dezembro de 2008.

A carta de direitos do Hamas prega a destruição de Israel, mas recentemente, seus líderes disseram que poderiam considerar um cessar-fogo de longo prazo em troca de um Estado nos territórios ocupadas por Israel desde 1967.

Israel tem um longo histórico de assassinatos de militantes palestinos específicos. Um dos mais conhecidos foi o assassinato do líder militar da Organização pela Libertação da Palestina, Abu Jihad, por agentes israelenses na Tunísia, em 1987.

Mas uma dessas missões deu errado em 1997, quando dois agentes foram presos na Jordânia depois de tentar envenenar Meshaal. Na ocasião, Israel foi obrigado pelo governo americano a fornecer um antídoto.

Mais recentemente, o governo israelense negou estar por trás do assassinato de Imad Mughniyeh, o comandante militar do grupo libanês xiita Hezbollah, em Damasco, em 2008.

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