Haja saco

A primavera é um saco. De lixo.

BBC Brasil |

Vários sacos. Uma das vantagens de um país sem invernos, como na maior parte do Brasil, é o guarda-roupa único, mas o tempo não afeta só esta parte da casa.

A primavera chega com o impulso da limpeza. Quando você começa a guardar a roupa de inverno e puxar a da primavera e verão, é hora de jogar tralha fora ou levar para organizações de caridade.

Injustamente eu ganhei a reputação de ser um organizado, porque minha mesa e minhas estantes no escritório são menos bagunçadas do que as dos vizinhos.

Tenho um bom motivo: com freqüência usamos a sala para filmagens e se você deixar a tralha acumular, na hora de limpar você se arrepende.

O outro motivo é mais forte: a sala é mínima. Se acumular livros, jornais e revistas, não me cabe.

Na minha casa há mais espaço e mais bagunça. No meu quarto há uma máquina de exercícios que comprei há dois anos, usei duas semanas. Desde então é um excelente cabide.

Minha bagunça, nem organização, vai tomar toda esta coluna. Descobri a "Perfeita Bagunça" ("A Perfect Mess") e seus encantos, com os professores Eric Abrahamson e David H. Freedman, da universidade Columbia.

Eles argumentam que uma certa bagunça é não só perdoável como necessária. Pessoas com mesas limpas são menos criativas e ganham menos do que os bagunçados.

Pais com guarda-roupas em perfeita ordem são mais frios, têm piores relações com os filhos, e as pessoas obcecadas com limpeza são mais chatas e menos tolerantes.

O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, é citado como exemplo de bagunçado bem-sucedido. Ele não tem agenda.

Os professores explicam que desde o estudo de Einstein sobre o Movimento Browniano (não me pergunte que movimento é este. Uma certa ignorância tambem é indispensável) os cientistas concluiram que uma pequena bagunça faz sistemas mais eficientes.

A descoberta da penicilina é um dos exemplos. Se Alexander Fleming tivesse mania de limpeza não teria encontrado bolor no seu laboratório, e sem o bolor, não teriamos antibióticos.

Apesar dos argumentos dos professores, a indústria da organização doméstica nos Estados Unidos vai faturar US$ 9 bilhões ano que vem.

Quando uma amiga na Flórida que tinha uma Mercedes conversível me contou que a profissão dela era arrumar a casa dos outros perguntei como uma diarista podia comprar um carro tão caro.

Ela me explicou que não era uma diarista. Elas - ou eles - chegam, arrumam a bagunça do cliente e bye bye. Ganham de US$ 300 a US$ 1.000 por dia.

A NAPO - National Association of Professional Organizers (Associação Nacional de Organizadores Profissionais) tem mais de 4 mil membros e ano passado arrumaram os guarda-roupas, cozinhas, garagens, porões e sótãos de 135 mil americanos.

Janeiro é o "Get Organized Month" (mês do "Organize-se") e a DYMO, uma das maiores fabricantes de rótulos e outros produtos ligados à organização, divide o mundo em dois tipos: os "O" e os "O-NO".

Os Os surpreendem pela limpeza, os O-NOs pela bagunça. A empresa organiza concursos anuais e distribui prêmios para os campeões da organização, e os superbagunceiros que arrumaram suas casas.

Haja saco.

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