Haitianos têm que superar caos na capital para se reerguer

PORTO PRÍNCIPE -Haiti, o país mais pobre das Américas, vive há 24 horas um cenário de caos, onde sobreviventes e corpos de vítimas se misturam entre ruínas e escombros.

iG São Paulo |

O terremoto de terça-feira, que alcançou 7 graus na escala Richter e foi seguido por várias réplicas, transformou as ruas de Porto Príncipe em um aglomerado caótico de milhares de pessoas, que invadem tudo, algumas por medo de voltar para casa e outras por já não terem para onde ir.

Há corpos pelo chão em todas as partes da cidade, além dos vários que estão sob muitos prédios que desabaram ou foram severamente danificados pelo terremoto.

Apesar de não haver um número oficial de vítimas, o presidente René Préval estimou que o número de mortos pode chegar a 50 mil .

Homens amparam mulher ferida
Homens amparam mulher ferida/ AFP

Porto Príncipe, uma cidade que não conhece planejamento ou urbanismo e onde se calcula que vivem dois milhões de pessoas, foi a principal vítima dessa tragédia que deixa de luto o povo haitiano.

O epicentro do pior dos terremotos da história do Haiti foi a apenas 15 quilômetros da capital.

Centenas de edifícios vieram abaixo, a maioria na parte alta da cidade, onde nesta quarta-feira as pessoas se agrupam à espera de ajuda, enquanto consolam umas às outras.

Em todas as ruas e praças principais se veem aglomerações humanas. Alguns desses grupos têm a difícil tarefa de retirar escombros na busca de sobreviventes ou corpos.

Entre os prédios que não resistiram ao impacto do terremoto estão a bela Catedral, no distrito de Bel Air, e o Palácio Nacional, sede da Presidência haitiana, em Champ de Mars.

O presidente Rene Préval e a primeira-dama Elisabeth Debrosse Delatour conseguiram se salvar antes que a construção viesse abaixo.

Préval disse hoje ao diário "Miami Herald" que percorreu vários bairros de Porto Príncipe para avaliar as consequências do tremor e afirmou que o que viu é "inimaginável".

O presidente contou que caminhou entre corpos e ouviu gritos de pessoas presas nos escombros do prédio do Parlamento.

"O Parlamento desabou, assim como escolas e hospitais. Há muitas escolas destruídas com muita gente dentro", assinalou Préval.

Segundo o presidente, os poucos hospitais que ficaram de pé "estão abarrotados de gente". "É uma catástrofe", acrescentou.

O governo haitiano pediu ajuda urgente da comunidade internacional, algo que também foi feito pelos cidadãos nas ruas.

"Há muitos mortos por todas as partes. Queria me dirigir a todos no exterior: no Haiti todos estão desabrigados e temos muita necessidade de ajuda para o povo", disse Charles Le Bon, um jovem que percorria a praça Champ de Mars, em frente ao desmoronado Palácio Presidencial.

Da mesma forma que Charles, que se considerou um "verdadeiro sobrevivente" e agradeceu a Deus, outros cidadãos mostraram seu desespero com chamadas e pedidos de ajuda, como Joel.

"Precisamos de muita ajuda, com a máxima urgência, porque todos somos vítimas", disse o haitiano, que lembrou que o "país não tem capacidade de suportar esta catástrofe".

O edifício da ONU, que tem desde 2004 uma missão de estabilização no Haiti (Minustah), é um dos que desabaram por causa do terremoto. Entre suas ruínas pode haver até 100 pessoas soterradas.

Segundo a emissora "Radio Metropole", nessa paisagem de desolação e caos há também quem busque tirar proveito, e houve roubos nos estabelecimentos comerciais.

As forças da Minustah, além de resgatarem as vítimas do terremoto, estão tentando garantir a ordem pública, com patrulhas dia e noite pela cidade e seus arredores.

Segundo disse o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, apesar da terrível situação no país, a população está se comportando com "calma" e "maturidade". "As pessoas estão tentando ajudar umas às outras, tentando se organizar", disse Bellerive.

A comunidade internacional respondeu com generosidade aos pedidos de ajuda das autoridades haitianas e, apesar dos problemas no aeroporto, já começaram a chegar cargas e equipamentos de socorro, assim como especialistas.

*Com informações da EFE

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