Haitianos nos EUA se mobilizam para ajudar vítimas de terremoto

A comunidade haitiana nos Estados Unidos está se mobilizando para enviar ajuda às vítimas do terremoto que deixou milhares de mortos em seu país natal.

BBC Brasil |

No bairro de Miami conhecido como "Little Haiti", o clima na quarta-feira era de solidariedade e de apreensão, enquanto vários moradores tentavam, sem sucesso, fazer contato com familiares que estavam na área atingida pelo terremoto.

Muitos haitianos, entre eles médicos, enfermeiros e engenheiros, se preparavam para retornar ao país e ajudar nos trabalhos de resgate e auxílio às vítimas.

"Já temos mais de 300 voluntários que querem ir ao Haiti", disse à BBC Brasil a haitiana Rasha Cameau, que ajuda a coordenar o recolhimento de medicamentos, água, comida e outros donativos enviados a um armazém em Miami.

Mais de 300 mil haitianos vivem em Miami e no sul da Flórida.

"Na manhã desta quinta-feira, o primeiro carregamento com doações estará pronto para ser enviado ao Haiti", disse Cameau, que ainda aguardava definição sobre o modo de transporte do material.

Em Nova York, que abriga cerca de meio milhão de haitianos, ativistas organizam o treinamento de voluntários para ajudar nos trabalhos de resgate.

"Estamos pedindo às pessoas que se registrem como voluntários", disse à BBC Brasil a diretora da organização Haitian Americans United for Progress, Elsie St. Louis-Accilien.

"Quem quiser ajudar de maneira mais imediata deve doar dinheiro a organizações com infra-estrutura suficiente para distribuir os recursos às vítimas, como a Cruz Vermelha", disse.

Internet

Segundo o presidente da organização Haitian-American Grassroots Coalition, Jean-Robert LaFortune, que vive há 30 anos em Miami, a falta de infra-estrutura na capital haitiana, Porto Príncipe, devastada pelo terremoto, dificulta ainda mais o envio de auxílio às vítimas.

A falta de comunicação com o Haiti também prejudica os esforços. Desde a notícia do terremoto, na terça-feira, Jean-Robert LaFortune tentava falar com familiares em Porto Príncipe. "Ainda não consegui", disse à BBC Brasil.

Muitos haitianos nos Estados Unidos estão usando sites como o Facebook e o Twitter para receber notícias de familiares na área atingida pelo terremoto.

Rasha Cameau disse que passou a madrugada e a manhã de quarta-feira tentando contato com os pais, a irmã e os avós, que vivem na capital haitiana.

"Ao meio-dia, recebi uma mensagem pelo Facebook, dizendo que minha irmã estava bem", disse. "Pouco depois, finalmente consegui trocar mensagens de telefone com ela".

Segundo Cameau, o hotel em que sua irmã trabalhava como chefe de cozinha foi destruído pelo terremoto.

"Ela contou que estava na cozinha, sentiu um tremor e conseguiu correr para a porta. Escapou apenas com ferimentos leves na cabeça e nas pernas".

Na noite de quarta-feira, a ativista Maeva Renaud finalizava a criação de um site ( www.haitifamilyfinder.org ) para ajudar os haitianos a entrar em contato com familiares e amigos.

Magnitude

A magnitude da destruição provocada pelo terremoto da terça-feira surpreendeu os haitianos nos Estados Unidos, já acostumados a se mobilizar diante de outras tragédias em seu país natal.

"O Haiti está acostumado a sofrer com furacões e inundações", disse Renaud, que mora nos Estados Unidos desde 1991. "Mas desta vez a situação é mais catastrófica. Ninguém esperava por isso."
Segundo St. Louis-Accilien, muitos órgãos de governo e agências humanitárias no Haiti que poderiam ajudar as vítimas também foram destruídos pelo terremoto.

"Os esforços de ajuda e reconstrução devem se estender por muito tempo", disse a ativista. "Nada do que o Haiti sofreu antes teve a magnitude deste terremoto".

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