Haiti vivia momento de desenvolvimento antes do tremor, diz comandante brasileiro

PORTO PRÍNCIPE - O comandante do contingente militar da ONU no Haiti, general Floriano Peixoto, afirmou neste domingo, em entrevista coletiva, que o país vivia um momento de amplo desenvolvimento quando foi atingido pelo terremoto, na última terça-feira. Nos últimos cinco anos, desde que a ONU está aqui, o país mostrou uma evolução muito significativa no aspecto da segurança, afirmou. Era o momento do Haiti.

Vicente Seda, enviado especial a Porto Príncipe |


Apesar de acreditar que a tragédia leva o país a uma condição muito anterior à que se encontrava, o comandante afirmou que não vai permitir que a violência aumente.

Não espero e não admito decréscimo na segurança, afirmou. Eventos isolados acontecem e acontecerão, não só aqui, mas em qualquer lugar onde haja uma tragédia como essa, Mas temos capacidade para agir de acordo com as normas da ONU.

Segundo Peixoto, caso seja necessário, é possível deslocar para Porto Príncipe as tropas uruguaias e argentinas que estão em outras partes do Haiti. Vamos intensificar (o trabalho), prevenir e, se preciso for, reprimir (atos violentos), informou.

Vicente Seda
Floriano Peixoto concede entrevista em Porto Príncipe

Floriano Peixoto concede entrevista em Porto Príncipe

Para o brasileiro, o Haiti também sofreu um retrocesso institucional. A infraestrutura do governo foi abalada de forma muito radical e a ONU também teve a sua estrutura comprometida, afirmou, informando que entre os 17 países que atuam na missão de paz da ONU, o Brasil foi o que perdeu mais militares. Dos 17 homens que morreram sob seu comando, 14 eram brasileiros. Há ainda sete desaparecidos e quatro feridos, em um efetivo de sete mil homens.

Logo após a entrevista, um momento de tensão. A reportagem do iG presenciou uma áspera discussão por telefone, na qual o general refutou com veemência a presença do comandante anterior, o também brasileiro general Santos Cruz, que deixou o cargo em abril de 2009.

Não ficou claro, contudo, de onde veio essa orientação ou qual seria o objetivo da presença do ex-comandante no Haiti. Peço uma revisão desta medida, tenho plenas condições de exercer o comando e isso traria um aspecto muito negativo, disse o general na conversa por telefone.

Estados Unidos

O comandante afirmou que a atuação brasileira no Haiti terá como prioridade manter a segurança do país, enquanto as tropas americanas ficarão focadas na ajuda humanitária.

Questionado sobre a atuação dos Estados Unidos no controle do aeroporto haitiano, o comandante brasileiro preferiu não fazer comentários. Segundo ele, trata-se de um acordo entre os governos do Haiti e dos EUA.

Devido à dificuldade de pouso, a chegada do hospital de campanha brasileiro ao Haiti foi adiada em 24 horas. De acordo com o general, o atraso foi causado pelo enorme fluxo de aeronaves que chegam com efetivos militares e ajuda humanitária desde o dia da tragédia.

Peixoto afirmou, ainda, que a questão das eleições legislativas, previstas para fevereiro, ainda não entraram na pauta de discussões, o que deve ocorrer apenas nas próximas semanas. A questão da eleição será discutida, mas agora a prioridade é resgate, segurança e atendimento à população.

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