Haiti vive caos após terremoto; aviões e tropas estão a caminho

Por Tom Brown e Andrew Cawthorne PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Tropas e aviões carregados de alimentos e remédios seguiram para o Haiti na quinta-feira para ajudar um povo abalado por sismos menores após o terremoto catastrófico que derrubou casas e prédios do governo, soterrando milhares de pessoas.

Reuters |

A Cruz Vermelha haitiana disse que pode haver entre 45.000 e 50.000 mortos e três milhões de feridos ou desabrigados depois que o terremoto de magnitude 7 atingiu a capital do Haiti na noite de terça-feira. Estima-se que muitas pessoas ainda estejam vivas, presas sob os escombros.

A ajuda começou a chegar por ar, mas os mantimentos ainda não alcançaram os haitianos que, em choque, vagavam pelas ruas de Porto Príncipe buscando desesperadamente por água, comida e remédio.

"Dinheiro não vale nada agora, água é a moeda", disse um funcionário de ajuda humanitário à Reuters.

Saqueadores invadiram um supermercado danificado pelo tremor em um bairro de Porto Príncipe, levando eletrônicos e sacos de arroz. Outros tiraram gasolina de um caminhão-tanque quebrado.

"Todos os policiais estão ocupados resgatando e enterrando suas próprias famílias", disse Manuel Deheusch, o dono de uma fábrica de telhas. "Eles não têm tempo de patrulhar as ruas".

Os Estados Unidos estão enviando 3.500 soldados e 300 trabalhadores da área médica para ajudar com o resgate e a segurança na capital devastada. As primeiras equipes deveriam chegar ainda na quinta-feira. O Pentágono também enviaria um porta-aviões e três barcos anfíbios, incluindo um capaz de transportar até 2.000 fuzileiros navais.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que uma equipe militar dos EUA reabriu o aeroporto de Porto Príncipe para que aeronaves pesadas pudessem começar a trazer auxílio.

Ela prometeu assistência de longo prazo dos EUA ao debilitado governo haitiano. O Parlamento, o palácio nacional e muitos prédios governamentais desabaram e não estava claro quantos parlamentares e autoridades sobreviveram. A principal prisão também ruiu, permitindo a fuga de criminosos perigosos.

"As autoridades que existiam antes do terremoto não são capazes de agir plenamente. Vamos tentar apoiá-las até que restabeleçam a autoridade," disse Hillary à CNN.

TREMORES EM MEIO AO LUTO

Ainda não havia sinais de operações de resgate organizadas para os presos sob escombros, e os médicos no Haiti, o país mais pobre do Ocidente, estavam mau equipados para tratar os feridos.

Os sobreviventes temiam voltar para suas casas precárias e dormiam nas ruas. Era possível ver mulheres cantando canções religiosas tradicionais no escuro, enquanto oravam para os mortos.

"Elas cantam porque querem que Deus faça alguma coisa. Elas querem que Deus as ajude. Todos queremos", disse Dermene Duma, funcionária do Hotel Villa Creole, que perdeu quatro parentes.

Estrangeiros dormiam em volta da piscina do hotel, enquanto muitas pessoas feridas ou mortas permaneciam do lado de fora. Durante a noite escutavam-se soluços e lamentos, mas os tremores menores interrompiam o luto e faziam as pessoas em pânico se afastarem das paredes e muros.

O epicentro do terremoto ocorreu a apenas 16 quilômetros de Porto Príncipe, cidade densamente povoada com 4 milhões de habitantes. Corpos jaziam por todos os lados da cidade montanhosa: sob os escombros, ao lado das estradas, dentro de caminhões.

Haitianos vagavam pelas ruas caóticas e danificadas de Porto Príncipe, procurando desesperadamente por água, comida e auxílio médico. Outros tentavam tirar com as mãos pedaços de concreto, buscando libertar os que foram enterrados vivos.

Um estoniano de 35 anos, Tarmo Joveer, foi libertado dos escombros de um prédio das Nações Unidas na quinta-feira.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que ao menos 16 integrantes da missão de paz com 9.000 funcionários morreram e muitos ainda estavam desaparecidos. O Exército brasileiro informou que 14 soldados do Brasil estão entre os mortos.

Países de todo o mundo ofereceram ajuda. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse que três aeronaves do governo francês transportando 40 toneladas de equipamentos, médicos e funcionários de segurança já haviam aterrissado no Haiti e que outras duas estavam a caminho.

EUA, China e países da Europa estão enviando equipes de resgate, algumas delas com cães farejadores e equipamento pesado, enquanto outros governos e grupos de ajuda humanitária ofereceram barracas, unidades de purificação de água, alimentos e equipes de telecomunicação.

(Reportagem adicional de Carlos Barria, David Morgan, Joseph Guyler Delva, Stephanie Nebehay, Patrick Worsnip e Louis Charbonneau)

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