Haiti tem impasse eleitoral e mais de 4 mil mortos por cólera

Em visita ao país caribenho, Hillary Clinton pede que líderes haitianos aceitem recomendações da OEA sobre resultado das eleições

iG São Paulo |

Em meio ao impasse eleitoral, o Haiti contabiliza 4.030 mil mortes pela epidemia de cólera. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o início do surto, em outubro, quase 210 mil pessoas foram infectadas. De acordo com a entidade, a doença parece estar estabilizada em centros urbanos. A situação é diferente em áreas rurais, onde a cólera está se espalhando com mais força por causa das condições precárias de saúde e da falta de acesso à prevenção. A média semanal de internações é de sete mil pessoas.

AP
Hillary esteve com o presidente haitiano, René Preval, na capital Porto Príncipe
A OMS também informou que está investigando quatro suspeitas de caso de paralisia que teria afetado pacientes de cólera na cidade costeira de Port de Paix, no norte do Haiti. A agência acredita que a doença pode ter sido causada por contaminação de alimentos ou remédios e não estaria relacionada à poliomielite. Mas, por preucação, a OMS já incluiu a vacinação contra a pólio em seu pacote de imunização para o Haiti.

OEA

Em visita ao Haiti, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu aos líderes haitianos que  adotem as recomendações internacionais para a solução do impasse eleitoral no país. Em uma visita ofuscada pela crise no Egito, Hillary se reuniu com o presidente René Préval e com os principais candidatos a presidente. Ela disse ter transmitido o recado de que Washington apoia as recomendações da Organização dos Estados Americanos (OEA) a respeito do caótico primeiro turno da eleição presidencial no Haiti, realizado em 28 de novembro

Especialistas da OEA viram irregularidades generalizadas na apuração dos votos e recomendaram que o músico Michel Martelly, oficialmente apontado como terceiro colocado, seja autorizado a disputar o segundo turno contra a ex-primeira-dama Mirlande Manigat. O resultado oficial apontou Manigat em primeiro lugar, e o governista Jude Celestin em segundo. "Queremos que as vozes e os votos do povo haitiano sejam considerados e reconhecidos", disse Hillary ao desembarcar em Porto Príncipe. Ela acrescentou que isso ajudaria o Haiti também a se recuperar o devastador terremoto de 2010.

"Precisa haver um governo e precisa haver estabilidade nesse governo (...) para que a comunidade internacional realmente possa ser uma parceira. Por isso esperamos que haja uma resolução da eleição em breve", disse ela a uma rádio local, após se reunir separadamente com os três principais candidatos.

Além dos EUA, as recomendações da OEA em prol de Martelly também têm apoio da ONU, da União Europeia, da França e da Grã-Bretanha, entre outros. Apesar do relatório da OEA e da pressão internacional, Celestin, um tecnocrata indicado por Préval para a disputa, não abandonou formalmente a candidatura, contrariando a recomendação do seu próprio partido, o Inité.

O Conselho Eleitoral Provisório do Haiti disse que irá anunciar na quarta-feira os resultados definitivos do primeiro turno. 

Os resultados preliminares comunicados no início de dezembro pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP) - que foram impugnados por vários participantes - situavam a ex-primeira-dama Mirlande Manigat em primeiro lugar, com 31% dos votos, e Jude Célestin, o candidato do atual presidente, René Préval, com 22%. 

Para a decepção e fúria dos seguidores do candidato governista, Martelly, com 7 mil votos a menos que Célestin, ficou de fora do segundo turno, levando a manifestações violentas por parte de seus adeptos.

*Com Ansa, AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: haititerremotoeleiçõescólerahillary clinton

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG