Gotson Pierre. Porto Príncipe, 12 fev (EFE).- Em várias cerimônias, os haitianos lembraram hoje as vítimas do devastador terremoto de janeiro e fizeram votos pelo futuro e a reconstrução do país.

Por ocasião do primeiro mês da catástrofe que destruiu Porto Príncipe e várias cidades próximas, a nação viveu um dia de luto nacional. As celebrações incluíram um chamado do presidente haitiano, René Préval, pela reconstrução.

"Sequemos nossas lágrimas para poder reconstruir o Haiti", disse o presidente, que convidou o povo a enterrar os mortos "com dignidade" e a ter "coragem".

O terremoto de 7 graus de magnitude na escala Richter, ocorrido em 12 de janeiro, marcou um antes e um depois no país mais pobre da América, onde houve 217 mortes e cerca de um milhão de pessoas vivem nas ruas.

Fedner, um homem de meia idade que seguia hoje uma das cerimônias religiosas em cima de uma caminhonete junto a dois amigos, considerou que o dia de hoje ficará para sempre na lembrança.

"Hoje é um dia importante, uma data que permanecerá em nosso pensamento. Este dia ficará na memória de todos os haitianos", ressaltou.

Bertrand, amigo de Fedner, disse que as atividades de hoje não substituirão os velórios que não conseguiu realizar para os parentes que perdeu: dois irmãos, uma irmã, uma tia e um sobrinho.

"A cerimônia não substitui os funerais, mas nos faz pensar em como estamos vivendo e que devemos nos apoiar em Deus", explicou à Agência Efe.

O presidente Préval disse que as palavras não servem para explicar o que ele viu nas ruas. "Há dores que as palavras não podem expressar", enfatizou.

Criticado por setores que consideram que não mostrou liderança suficiente após a catástrofe, o presidente indicou que sua "resposta" é "continuar com as diligências para buscar socorro no estrangeiro".

Préval pediu também orações pela recuperação do enviado especial da ONU, o ex-presidente americano Bill Clinton, que foi operado ontem do coração e se recupera em casa, em Nova York.

Entre as multidões que presenciaram as atividades comemorativas predominavam as roupas pretas, em sinal de luto, e brancas, como pediu o Governo.

O prefeito de Porto Príncipe, Jean Yves Jason, insistiu também na necessidade de voltar à normalidade e começar a construir uma capital diferente.

"Vivemos um momento de fundação", declarou o prefeito, que disse que sente "uma responsabilidade muito grande" por "reconstruir a vida e a cidade".

Durante a cerimônia, retransmitida pelas televisões, o bispo católico Joseph Lafontant destacou o "sentido providencial" da catástrofe e sustentou que "pode ser transformada em oportunidade", para reconstruir um "mundo novo" e um "novo Haiti".

A cerimônia principal, em uma tenda decorada com flores, aconteceu na Universidade de Notre Dame, com a presença do presidente Préval, de membros do Governo, diplomatas e personalidades.

Em Petit Goave, Jacmel, Léogane e em outras cidades diretamente atingidas pelo terremoto também foram realizados atos religiosos.

Do mesmo modo houve cerimônias em outras cidades do país e em áreas camponesas, onde muita gente acompanhava as atividades por rádio e por sistemas de megafone instalados para a ocasião.

Para acompanhar os atos em clima de reflexão e meditar juntos, muitos haitianos fecharam para o trânsito amplas zonas de algumas ruas com pedras e restos dos edifícios que ficaram em ruínas e que ainda bloqueiam a passagem em várias ruas do centro da capital. EFE gp/rr

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