Haiti recebe primeiras autoridades após conferência em Montreal

Javier Otazu. Porto Príncipe, 26 jan (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegou hoje ao Haiti, um dia depois da conferência realizada em Montreal para definir como será a reconstrução do país, devastado por um forte terremoto no último dia 12.

EFE |

Acompanhado do primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, Insulza vai conferir com os próprios olhos os problemas que agravaram ainda mais a situação do país caribenho, o mais pobre da América.

No momento, o recolhimento de cadáveres, a distribuição de alimentos à população, a construção de novos acampamentos e o relançamento da atividade econômica são os maiores desafios do Governo haitiano e dos países que decidiram ajudar a nação.

Passadas duas semanas desde o terremoto, até hoje ninguém sabe ao certo quantas pessoas morreram no tremor. O ministro de Interior, Antoine Ben-Aimé, disse à Agência Efe que o número de corpos achados já se "aproxima de 150 mil". Mas "ainda restam muitíssimos sob os escombros", garantiu.

Segundo o funcionário, o recolhimento de cadáveres ainda não terminou porque, a cada remoção de escombros, são encontrados novos corpos.

Ben-Aimé explicou que o número apresentado nesta terça-feira, superior ao divulgado ontem pelo ministro da Saúde, leva em conta os cadáveres recolhidos pelas autoridades e pelas famílias, que, em alguns casos, enterraram os corpos imediatamente ou os levaram para serem sepultados em sua terra natal.

Já o diretor-geral da Polícia Nacional, Mario Andresol, admitiu que uma grande quantidade de corpos foi enterrada em valas comuns, sem serem devidamente identificados.

A esse respeito, o Governo disse que pediu ajuda à Interpol para acelerar o processo, mas não explicou como isso poderá ser feito.

Andresol também se referiu à situação da segurança em Porto Príncipe: a Polícia, que tinha 5 mil agentes, agora só tem 2 mil, para uma população de aproximadamente 2 milhões de habitantes.

Ele lembrou que 4 mil presos estão foragidos desde o dia do terremoto e que, "provavelmente", muitos "estão escondidos em Cité Soleil", o bairro mais pobre da capital.

Quanto às denúncias de que a Polícia atirou com balas de verdade contra saqueadores, o oficial admitiu que houve alguns casos e garantiu que um agente foi detido por esse motivo.

O país enfrenta ainda o problema dos sem-teto. Centenas de milhares deles - entre 700 mil e 800 mil, segundo o ministro de Interior - não sabem o que o Governo planeja fazer para ajudá-los.

Por enquanto, as autoridades vão distribuir cerca de 30 mil barracas. Mas a Organização Internacional para as Migrações (OIM) disse que o Governo deveria construir abrigos, já que em maio começa a temporada de chuvas no país.

Segundo os cálculos da OIM, 200 mil famílias, o que equivale a 1 milhão de pessoas, precisam de uma nova casa ou de reparos nas que têm.

Por ora, a alimentação de todos esses refugiados está sendo garantida por eles mesmos ou por vizinhos. Essa situação, em parte, se deve ao fato de as agências internacionais ainda não terem conseguido estabelecer um mecanismo de distribuição regular de comida e água à população necessitada.

Porto Príncipe ainda está longe de parecer uma cidade normal. Há muitos prédios destruídos e vários outros perigosamente inclinados.

Porém, a economia começa a dar sinais de vida. Cada vez mais lojas abrem as portas e filas imensas, mas ordenadas, se formam nas agências bancárias e de transferência de valores.

As ruas também já estão sendo tomadas por caminhões de lixo e pelas brigadas de operários que participam das remoções dos escombros. Ainda assim, a sensação é de que restam toneladas de entulhos a serem recolhidas.

A luz, por sua vez, é artigo de luxo em muitos bairros, nos quais geradores funcionam noite e dia.

Insulza e Harper são as primeiras personalidades a visitar o Haiti depois da conferência em Montreal, na qual, segundo o secretário da OEA, avançou-se "substantivamente na coordenação e na unificação dos esforços" para ajudar a nação caribenha.

"Ninguém pode dar uma estimativa de quanto a reconstrução do Haiti vai demorar, por isso é necessário um compromisso de longo prazo", ressaltou o diplomata em um comunicado divulgado pela OEA.

EFE fjo/sc

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