Haiti procura sobreviventes do terremoto enquanto o mundo se une para ajudar

Redação Central, 13 jan (EFE).- Os habitantes de Porto Príncipe, capital do Haiti, estão focados na busca de sobreviventes do terremoto que arrasou ontem o país, enquanto a comunidade internacional se mobiliza para ajudar as centenas de milhares de vítimas.

EFE |

Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aproximadamente três milhões de haitianos, um terço da população do país mais pobre das Américas, foram afetados pelo sismo de 7 graus na escala Richter.

O terremoto e as três réplicas que vieram a seguir transformaram as ruas da capital em um local de concentração de milhares de pessoas, algumas que temem retornar às suas casas e outras que não têm mais teto, e ao mesmo tempo em um cemitério, segundo pôde constatar a agência Efe.

Há corpos espalhados pelo chão em todas as partes da cidade, outros são transferidos por grupos de pessoas e muitos mais estão debaixo dos escombros dos vários edifícios derrubados ou danificados pelos sismos.

Não há números oficiais de mortos, mas já se fala de "centenas de milhares", como disse hoje o primeiro-ministro haitiano, Jean Max Bellerive.

Por enquanto, pôde ser confirmado que o número de membros da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) falecidos no terremoto chega a 16 e que há cerca de 150 funcionários desaparecidos, indicou Ban.

O Exército brasileiro confirmou que pelo menos 11 militares do país que participam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

Além disso, morreram três militares jordanianos e um civil haitiano, disse o responsável da logística para as operações de paz da ONU, Susana Malcorra.

Sobre a situação do principal responsável da Minustah, o tunisiano Hédi Annabi, que estava no edifício da ONU que caiu após o terremoto e foi dado por morto pelo Governo haitiano, Malcorra não tem uma versão oficial.

Mas as perdas não são só humanas, como se pode observar na arquitetura de Porto Príncipe. Entre os edifícios que não resistiram ao terremoto estão a Catedral e o Palácio Nacional, sede da Presidência.

O líder René Préval e a primeira-dama, Elisabeth Debrosse Delatour, conseguiram se salvar.

"O Parlamento afundou, o edifício de impostos, as escolas, os hospitais. Há muitas escolas destruídas com muita gente dentro". Os poucos hospitais que ficaram de pé "estão abarrotados com gente. É uma catástrofe", afirmou Préval ao diário "The Miami Herald".

Tanto Préval como o primeiro-ministro solicitaram ajuda urgente à comunidade internacional, pedido reiterado pelos cidadãos.

"Há muitos mortos por todas as partes. Eu quero dirigir-me a todo o mundo: no Haiti todos somos desabrigados e temos muita necessidade de ajuda para as pessoas mais afetadas", disse à Efe Charles Le Bon, um jovem que hoje percorria a praça Champ de Mars, em frente ao que restou do Palacio Presidencial.

Um chamado que está sendo atendido com prontidão pelo mundo. As primeiras ajudas começaram a chegar, segundo o embaixador do Haiti na Organização dos Estados Americanos (OEA), Duly Brutus, que assinalou: "Nunca nosso país necessitou tanto da ajuda da comunidade internacional".

Embora a torre de controle do aeroporto da capital tenha sido destruída, o terminal segue funcionando, embora trabalhando com capacidade mínima, confirmou hoje o maior representante da ONU.

O Haiti tem "o apoio total dos Estados Unidos", que responderá "de forma rápida, coordenada e enérgica" à catástrofe, prometeu o presidente Barack Obama.

A primeira equipe com 72 especialistas em busca de sobreviventes e a primeira embarcação da guarda-costeira dos EUA chegaram hoje ao Haiti para prestar socorro à população. Washington prevê que outras três unidades cheguem ao Haiti entre quarta e quinta-feira.

O Brasil e o restante da América Latina também responderam com rapidez, e países como República Dominicana, Venezuela, Chile, Cuba, Equador, Colômbia, Argentina, Peru, México, Guatemala, Panamá e Nicarágua, entre outros, já se mobilizaram.

A contribuição brasileira, no primeiro momento, será de US$ 10 milhões e 14 toneladas de alimentos.

A Espanha, que coordena a ajuda humanitária europeia para o Haiti, fretará hoje três aviões para ajuda de emergência. Além disso, a Comissão Europeia anunciou o desbloqueio de três milhões de euros de ajuda de urgência.

A ONU, enquanto isso, anunciou a mobilização de suas equipes de emergência para que ajudem a coordenar a chegada de assistência humanitária e autorizou uma verba de US$ 10 milhões.

Enquanto os trabalhos de resgate e ajuda continuam, outra grande prioridade é a segurança nas ruas, onde foram vistas cenas de saques em estabelecimentos comerciais, como reportou a "Rádio Metropole", de Porto Príncipe.

Por isso, a Minustah mobilizou seus 3.000 militares e policiais na capital para que protejam os pontos mais importantes, como o aeroporto, e mantenham a ordem.

No entanto, o primeiro-ministro Bellerive disse à rede de televisão "CNN" que, apesar da horrível situação que vive o país, a população está se portando com "calma" e "maturidade".

"O povo está tratando de ajudar uns aos outros, tentando se organizar", disse. EFE eat/fm

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