Haiti pode ter nova crise de alimentos depois de tempestades

Por Matthew Bigg PORTO PRíNCIPE (Reuters) - O Haiti enfrenta uma crescente crise depois que as tempestades destruíram boa parte das plantações de arroz do país, o que desperta temores de que as intensas lutas por comida -- que derrubaram o governo no começo do ano -- voltem a acontecer.

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As tempestades mataram centenas de pessoas e forçaram dezenas de milhares a sair de suas casas, na cidade de Gonaives. A cidade é capital da região de Artibonite, centro produtor de arroz que sofreu severos danos por causa das chuvas.

O grupo humanitário Christian Aid estima que cerca de um terço da produção anual haitiana de arroz, que é de 60 mil toneladas, tenha sido arruinada pelas enchentes.

Os danos são dos mais sérios porque vieram no período mais complicado. As perdas serão sentidas com mais intensidade pelas famílias mais pobres, que plantam e colhem, e por aqueles que não têm capital para reinvestir.

Também pode haver um grande impacto sobre o setor alimentício como um todo.

'Pode haver interrupções de preços que podem causar conflitos, numa situação similar à que aconteceu em abril. A população pode ficar muito frustrada', disse Prospery Raymond, representante da Christian Aid no Haiti.

Os alimentos são uma questão política muito importante na nação caribenha, o país mais pobre do ocidente. A desnutrição é excessiva no Haiti, onde muitas pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia.

As revoltas de abril, ocorridas devido aos preços dos alimentos, mataram pelo menos cinco pessoas, incluindo um membro da força de paz da ONU, além de derrubar o governo do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, aliado do presidente René Préval.

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