Haiti planeja levar 400 mil vítimas para abrigos fora da capital

Por Patrick Markey e Patricia Zengerle PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - O Haiti pode começar nesta semana a realocar pelo menos 400 mil pessoas que ficaram desabrigadas pelo terremoto deste mês, disse o governo nesta segunda-feira, enquanto doadores estrangeiros mapeavam um plano de longo prazo para a reconstrução do país.

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Os beneficiados pela realocação atualmente estão espalhados entre mais de 400 acampamentos improvisados por toda Porto Príncipe. Eles irão para assentamentos temporários --inicialmente vilas de tendas-- nos arredores da capital.

"Temos de desocupar as ruas e realocar as pessoas. Isso é o mais importante para nós", disse à Reuters a ministra das Comunicações, Marie Laurence Jocelyn Lassegue. "Esperamos que possamos começar no fim da semana."

O ministro da Saúde, Alex Larsen, disse que 1 milhão de pessoas tiveram de deixar suas casas na região de Porto Príncipe. O governo tem tendas para abrigar 400 mil pessoas nos assentamentos temporários, mas precisaria de mais.

Ainda há tremores quase diários depois do violento terremoto de magnitude 7, no dia 12, que matou até 200 mil pessoas, o que gera a possibilidade de que a cidade tenha de ser reconstruída em um local mais seguro no futuro, longe das perigosas falhas geológicas.

Quase duas semanas depois da tragédia, soldados dos EUA e da Organização das Nações Unidas (ONU) ainda se empenham para alimentar, abrigar e tratar centenas de milhares de sobreviventes, muitos deles feridos. Muitas vítimas continuam se queixando da demora para receber as toneladas de ajuda humanitária que chegam do mundo todo.

Nesta segunda-feira, doadores internacionais se reuniriam em Montreal, no Canadá, para avaliar formas de passar da ajuda humanitária imediata para a reconstrução de longo prazo do Haiti, que mesmo antes do terremoto já era o país mais pobre das Américas.

O primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, o chanceler Celso Amorim, e o chanceler francês, Bernard Kouchner, entre outros, discutiram questões como o perdão da dívida haitiana e as estratégias de reconstrução.

Bellerive disse na conferência que o Haiti precisará da ajuda mundial por um prazo de pelo menos cinco a dez anos. "O povo do Haiti precisará de cada vez mais para completar a reconstrução."

(Reportagem adicional de Jackie Frank e Joseph Guyler Delva, em Porto Príncipe, e de Randall Palmer, em Montreal)

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