problemas ideológicos para receber ajuda dos EUA - Mundo - iG" /

Haiti não tem problemas ideológicos para receber ajuda dos EUA

Paris, 20 jan (EFE).- O presidente do Haiti, René Préval, afirmou hoje que seu país não tem nenhum problema ideológico para receber ajuda internacional após o terremoto do último dia 12, nem mesmo dos Estados Unidos, país que já invadiu seu território.

EFE |

"Não temos nenhum problema ideológico para receber a ajuda dos que podem e querem nos ajudar", assegurou o chefe do Estado em entrevista à rádio francesa "France Info".

Préval descartou qualquer polêmica pela chegada de militares americanos ao Haiti, país que Washington já invadiu no passado.

"Colaboramos com diversos parceiros. Os americanos estão sob comando das Nações Unidas (Minustah), apresentaram sua ajuda para a reconstrução. É a Minustah com a Polícia ajudada pelos americanos" que está a cargo da segurança, disse.

Quanto à chegada de helicópteros americanos ao jardim do palácio presidencial, Préval afirmou que "se isso servir para salvar vidas, as considerações ideológicas devem dar espaço à caridade".

Préval assinalou que agora, pouco mais de uma semana depois do terremoto, "as coisas começam a entrar em ordem" e as autoridades começam a "controlar a situação desde um ponto de vista psicológico e da capacidade de gestão".

O presidente agradeceu a ajuda internacional enviada e assinalou que o país segue precisando de apoio exterior.

Após primeiros instantes de caos, os haitianos "entenderam a amplitude da catástrofe e com calma e uma solidariedade cada vez mais organizada vamos sair", disse Préval.

"A prioridade é socorrer os que estão sob os escombros, tirar os cadáveres das ruas para evitar uma catástrofe sanitária, levar a abrigos temporários os que ainda estão nas ruas, contribuindo com o necessário para sua alimentação", acrescentou.

Em declarações a "Rádio França Internacional" ("RFI"), o presidente haitiano reconheceu que há problemas de coordenação da distribuição da ajuda internacional "que chega muito rápido" e o país "não está preparado para recebê-la".

"Quando (a ajuda) chega, nos dizem: Onde estão os caminhões para transportá-la, e os armazéns?", afirmou Préval.

O presidente indicou que "o importante" nos próximos dias será "coordenar a ajuda para saber em que quantidades, quando e como é preciso ser distribuída".

Sobre a impaciência do povo de seu país e a ansiedade pela reconstrução dos edifícios, o presidente afirmou que "um país não morre, um povo não morre. Vamos nos levantar, os haitianos vão tomar consciência de que não se pode construir em qualquer lugar, que é preciso estabilidade política para construir com continuidade".

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Em declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, disse que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que pelo menos 17 militares do país que participavam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE lmpg/fm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG