Haiti luta para reabrir escolas após terremoto

Por Claudia Gaillard PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - Passados quase três meses do terremoto de janeiro, algumas escolas haitianas já voltaram a funcionar, mas outras ainda precisam de reparos ou equipamentos, segundo funcionários.

Reuters |

O Ministério da Educação, com apoio do Unicef (órgão da Organização das Nações Unidas para a infância), propôs que as aulas fossem retomadas num prazo de 12 semanas após o sismo que devastou Porto Príncipe em 12 de janeiro, destruindo ou danificando mais de 4 mil escolas. O próprio ministério teve sua sede demolida.

Enquanto algumas escolas, muitas delas particulares, conseguiram reabrir usando tendas doadas como salas de aulas, outras continuam fechadas ou rejeitam alunos porque suas instalações ainda não foram reparadas. As cifras gerais de quantas escolas reabriram não estavam imediatamente disponíveis.

Na escola estatal Lycée Marie-Jeanne, os alunos apareceram com uniformes passados e sapatos engraxados, apenas para saberem do diretor que o prédio ainda não estava pronto.

Stephanie Raphael ficou frustrada.

"Quando ouvimos o ministro da Educação anunciando que as aulas recomeçariam, ficamos realmente felizes, porque o único jeito de ganharmos a vida por nós mesmos será por meio da educação", afirmou ela.

Foi a mesma coisa na Escola Santíssima Trindade, cujo diretor, Joseph Tancrel Diegue, declarou ainda não ter recebido as tendas prometidas pelo Ministério da Educação.

Na escola particular Santa Rosa de Lima, os alunos tiveram mais sorte e estudam em grandes tendas.

"Bom, a vida recomeça. Teríamos de voltar à escola um dia. Hoje praticamente não fizemos nada, só tentamos nos divertir, mas pouco a pouco vamos começar a trabalhar outra vez", relatou a aluna Anne Sylvie Riviere.

Representantes do Unicef dizem que a meta é levar mais de 700 mil alunos de volta às aulas nos próximos dois meses, e que o número deve subir ainda mais com o começo do ano letivo, em setembro.

Mesmo antes do terremoto, o sistema educacional haitiano já era precário e carente de verbas. Muitas crianças pobres têm pouco ou nenhum acesso à escolarização.

"A demanda por educação é altíssima no Haiti. Há uma clara sede de aprendizado entre crianças e famílias", disse Françoise Gruloos-Ackermans, representante do Unicef, em nota.

"As famílias valorizam a educação acima de qualquer outro serviço, e queremos abraçar esta paixão pelo aprendizado."

Mas sindicalistas criticaram os preparativos feitos pelo Ministério da Educação, já que dezenas de milhares de crianças continuam fora das escolas, a maioria em miseráveis acampamentos de desabrigados.

"Foi uma retórica muito magnânima do governo anunciar que as escolas estavam abrindo, sem fazer quaisquer dos preparativos necessários para receber os alunos", afirmou o coordenador de um sindicato do magistério, Josué Merilien.

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