Haiti evita epidemias, mas ameaça persiste

Por Patricia Zengerle PORTO PRÍNCIPE (Reuters) - As epidemias temidas depois do terremoto do Haiti não aconteceram, mas doenças e infecções continuam ameaçando os sobreviventes, disseram autoridades sanitárias no domingo.

Reuters |

O tremor de 12 de janeiro matou até 200 mil pessoas e deixou até 3 milhões de feridos e desabrigados, implorando por ajuda médica, alimentar e água, num país que mesmo antes da tragédia já era o mais pobre das Américas.

Os médicos temem que a superlotação e a falta de higiene em centenas de acampamentos improvisados espalhem doenças como febre tifoide e sarampo. Além disso, milhares de pessoas submetidas a cirurgias correm o risco de contrair infecções.

"Estamos falando em milhares de amputações, e talvez metade das pessoas que foram amputadas tiveram vários membros amputados," disse Mirta Roses, diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, em entrevista coletiva no aeroporto de Porto Príncipe. Muita gente também sofreu ferimentos graves de cabeça e olhos, segundo ela.

Agora que o trabalho de resgate vem chegando ao final, as cirurgias também diminuem, e os médicos podem se concentrar na recuperação dos pacientes.

"O perfil está mudando e haverá necessidades diferentes para a o cuidado e atendimento pós-operatório", disse Roses.

Onze hospitais foram destruídos e vários ficaram danificados, e os que restam estão com capacidade esgotada. Além disso, muitos pacientes perderam suas casas e não têm aonde ir para se recuperar.

"As pessoas não querem sair dos hospitais. E também seus parentes não querem sair dos hospitais", disse Roses.

Apesar das milhares de cirurgias já realizadas, os pacientes continuam chegando às clínicas com fraturas e ferimentos que não foram tratados nestes 12 últimos dias, e que exigem recursos nem sempre disponíveis, afirmou a médica.

As autoridades também estão preocupadas com o começo da temporada de furacões na região, em junho. O Haiti foi muito afetado por essas tempestades nos últimos anos, e em 2008 centenas de pessoas morreram. Já em 2009 o país foi poupado, para alívio dos especialistas.

"Achávamos que tínhamos sido extremamente afortunados por não ter tido nenhum furacão (em 2009). Então, claro, tivemos o terremoto", disse Roses.

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