Haiti enterra 7 mil em vala comum e destruição dificulta distribuição de ajuda

PORTO PRÍNCIPE - O presidente do Haiti, René Préval, afirmou nesta quinta-feira que cerca de 7 mil mortos no terremoto de terça-feira foram enterrados em uma vala comum. Ao lado do presidente dominicano, Leonel Fernández, o primeiro chefe de Estado a visitar o Haiti depois do devastador terremoto de terça-feira, Préval disse que uma das coisas mais importantes que o Haiti precisava é de ajuda para enterrar seus mortos.

iG São Paulo |

O Haiti começou nesta quinta-feira a receber os primeiros esforços de ajuda humanitária, mas por causa da infraestrutura severamente abalada pelo terremoto  de 7 graus na escala Ritcher, o pior a atingir o país em 200 anos , os suprimentos estão chegando a conta-gotas à população. Dois dias depois do tremor, muita gente continua viva sob os escombros, mas há poucos sinais de um esforço organizado de resgate.

Aviões cheios de mantimentos chegam ao aeroporto de Porto Príncipe num ritmo mais rápido do que os funcionários são capazes de descarregá-los, e o governo haitiano suspendeu à tarde a chegada de aviões dos EUA com ajuda por causa da lotação do aeroporto e temendo que os aviões fiquem sem combustível enquanto esperam para pousar. O porto, fortemente danificado pelo tremor, não pode receber navios com ajuda humanitária.

Com sua chegada, membros das equipes de busca e resgate puderam testemunhar a extensão do desastre causado pelo. "A vasta maioria do centro da cidade é uma mistura de corpos, destroços e concreto", afirmou um jornalista à CNN.

AFP
Porto foi destruído em tragédia

Porto foi destruído em tragédia

Além do choque causado pelas cenas de destruição, funcionários humanitários e jornalistas também ficaram assustados com o odor que paira pela cidade. Para andar nas ruas, haitianos cobrem seus rostos com panos para tentar barrar o cheiro que exala dos corpos em estado de putrefação.

Estradas cheias de destroços, árvores caídas e rede de comunicações danificada dificultaram os trabalhos das equipes, que tentavam levar suprimentos às vítimas, das quais milhares estão vivendo nas ruas.

Do lado de fora de uma funerária, havia uma fila de meio quarteirão com pessoas tentando enterrar seus mortos. Pilhas de corpos estavam enfileirados dos dois lados da rua. Ao menos 1.500 corpos estão empilhados dentro e fora do local e caminhonetes continuam levando ao local as vítimas do terremoto, informou o diretor do hospital.

Com a chegada lenta da assistência humanitária, muitos haitianos vagavam nesta quinta-feira pelas ruas de Porto Príncipe, buscando desesperadamente água, comida e remédio. "Dinheiro não vale nada agora; água é a moeda", disse um funcionário de ajuda humanitária.

Sem um número definido de mortos e desaparecidos, as equipes de resgate enfrentam dificuldades para a organização e a locomoção pelas cidades haitianas por causa do estado das ruas e estradas após o terremoto.

A Cruz Vermelha haitiana estimou o número de mortos entre 45 mil e 50 mil  e em 3 milhões os afetados pelo tremor. Há dezenas ou centenas de milhares de pessoas que perderam suas casas. Por causa do grau de destruição, autoridades haitianas chegaram até a afirmar na quarta-feira que o número de mortos poderia chegar a 100 mil.

A Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou nesta quinta-feira a morte de pelo menos 36 funcionários após o desabamento da sede da entidade no Haiti e de outros prédios.

AFP
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Haitianos ao relento em Porto Príncipe

Ajuda internacional

Visivelmente comovido com a tragédia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira uma ajuda inicial de US$ 100 milhões para o Haiti  e ordenou que seu governo coloque no topo da agenda a ajuda a esse país. Também nesta quinta-feira, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, anunciou que a instituição oferecerá US$ 100 milhões "de forma imediata" ao Haiti para se recuperar do terremoto da terça-feira.

O governo brasileiro anunciou seu  plano de emergência , afirmando que ele tem o objetivo de lidar com os cinco problemas mais graves detectados no Haiti: o enterro dos mortos, o socorro médico aos feridos, a remoção dos escombros, o reforço da segurança nas operações e a distribuição de alimentos e água.

Além da doação de US$ 100 milhões, os Estados Unidos estão enviando 3.500 soldados e 300 trabalhadores da área médica para ajudar com o resgate e a segurança na capital devastada. As primeiras equipes deveriam chegar ainda na quinta-feira. O Pentágono também enviaria um porta-aviões e três barcos anfíbios, incluindo um capaz de transportar até 2.000 fuzileiros navais.

Países de todo o mundo ofereceram ajuda. O ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, disse que três aeronaves do governo francês transportando 40 toneladas de equipamentos, médicos e funcionários de segurança já haviam aterrissado no Haiti e outras duas estavam a caminho.

China e países da Europa estão enviando equipes de resgate, algumas delas com cães farejadores e equipamento pesado, enquanto outros governos e grupos de ajuda humanitária ofereceram barracas, unidades de purificação de água, alimentos e equipes de telecomunicação.

Terremoto devastador

O terremoto de 7 graus na escala Richter ocorreu às 19h53 de Brasília na última terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital do Haiti.

Além de 14 soldados brasileiros mortos, a brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

*Com informações de CNN, BBC, Reuters, EFE e AFP

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