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Haiti chora os mortos e governo encerra buscas por sobreviventes

PORTO PRÍNCIPE - O Haiti lembrou neste sábado os mortos no terremoto. Centenas de pessoas se aglomeraram nas ruínas da catedral católica para homenagear um arcebispo e outras vítimas mortas no sismo da semana passada, enquanto http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2010/01/23/buscas+se+encerram+no+haiti+apos+2+novos+resgates+9374400.htmlo governo encerrava as operações de busca e resgate de sobreviventes.

Reuters |

Num momento em que os esforços internacionais se concentram agora na ajuda a centenas de milhares de vítimas que estão feridas, com fome e desabrigadas, acampadas nas ruas, o governo haitiano decidiu encerrar a busca de sobreviventes sob os escombros.

"A esperança está desaparecendo, embora ainda possa haver milagres", disse Elisabeth Byrs, porta-voz do órgão da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, em Genebra.

Byrs afirmou que as equipes de busca e resgate salvaram 132 pessoas desde o terremoto de 12 de janeiro, mas o foco passou a ser a assistência médica aos sobreviventes e a localização de corpos.

Do lado de fora da arruinada catedral de Notre Dame, em Porto Príncipe, uma multidão de fiéis, padres e freiras se reuniu para o funeral do arcebispo Joseph Serge Miot e o vigário Charles Benoit, ambos mortos no trágico terremoto que destruiu partes da capital, situada na costa.

AP
Haitianos velam o corpo do arcebispo Joseph Serge Miot

"O que perdemos não podemos ter de volta. Não foram os ricos que perderam nem os pobres. Estamos todos juntos", disse Léon Séjour, um seminarista vindo de Cap Haitien, no norte. Outro participante do funeral disse: "Nós choramos na terça, quarta, quinta-feira. Não podemos chorar o tempo todo."

As autoridades haitianas estimam que até 200 mil pessoas podem ter morrido no terremoto, que deixou cerca de 3 milhões feridos ou desabrigados, e clamando desesperadamente por assistência médica, comida e água. O balanço oficial das vótimas fatais de terremoto no Haiti está em  111.499 mortes confirmadas .

Quando indagado sobre as persistentes queixas de sobreviventes de que a ajuda alimentar ainda não chega até eles, o chefe da agência de ajuda norte-americana Usaid, Rajiv Shah, disse que sua organização está pronta para prover toda a assistência pedida.

"A escala da destruição, a consequência humana do que aconteceu simplesmente não tem paralelo... Nós nunca atenderemos às necessidades tão rapidamente como gostaríamos", declarou ele à Reuters.

Antes disso, Shah disse a administradores no Hospital Universitário, em Porto Príncipe: "Queremos estar tão prontos a auxiliar quanto possível, mas temos de fazer muito mais."

Dirigentes da Usaid enfrentam enormes desafios para distribuir a ajuda em uma cidade arrasada, tomada pelos escombros e transbordando de desabrigados e pessoas feridas.

"Ninguém pode entender isso enquanto não estiver aqui", disse Gina Jackson, da Usaid.

Governo encerra as buscas:


Raiva contra o presidente

O presidente haitiano, René Préval, e seus ministros foram ao funeral do arcebispo. Quando deixava o local, pessoas furiosas com a demora na entrega da ajuda o empurraram e cercaram seu carro. Alguns jovens gritavam que ele tem de deixar o poder. Préval afirmou ter ido ao funeral em respeito ao arcebispo morto.

Apesar do esforço internacional -- os Estados Unidos mantêm 13 mil militares no Haiti e na costa do país -- a ajuda chega lentamente a todos os necessitados.

Nos jardins do gabinete do primeiro-ministro, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha distribuiu um tanque de água potável a vítimas do terremoto acampadas em tendas no gramado.

Sobreviventes dizem que ainda têm dificuldade em obter comida e que há pouca ou nenhuma distribuição de ajuda.

"Minha mulher saiu hoje em busca de comida", disse Dominique Tombeau, sentado sob uma lona. "As pessoas perguntam: 'quando os americanos virão para ajudar?'"

Frutas e legumes apareceram em abundância em barracas nas ruas, mas as pessoas dizem ter pouco dinheiro para comprá-las e os preços estão muito mais altos do que antes do terremoto.

Cerca de 1,5 milhão de haitianos perderam as casas no terremoto. Organizações de ajuda estimam que um terço dos 9 milhões de habitantes do Haiti vai precisar de comida, água e abrigos de emergência por um longo período.

Para auxiliar nesse esforço, dezenas de celebridades levantaram dinheiro com o show Hope for Haiti Now transmitido por grandes redes de TV aberta e a cabo dos EUA na sexta-feira à noite. O evento foi organizado pelo ator George Clooney e incluiu performances do cantor Wyclef Jean, nascido no Haiti, Bruce Springsteen, Bono, do U2, e Madonna.

AP

Presidente do Haiti, Renee Preval, e sua mulher, Elisabeth Debrosse Preval, acompanham a missa 


Em meio ao luto, há sinais de que o país caribenho, o mais pobre das Américas, começa a voltar à vida. Os bancos iriam reabrir neste sábado e as agências de transferência de dinheiro voltaram a operar. Haitianos aguardavam em fila diante de bancos, ansiosos por obter dinheiro para comprar alimentos e suprimentos básicos.

O grande supermercado Big Star reabriu na sexta-feira, vendendo desde presunto até chocolates. Mas o gerente disse que há estoque somente para uma semana ou duas e ele não recebeu mercadorias.

Apesar da mobilização internacional, Henriette Chamouillet, representante da Organização Mundial de Saúde no Haiti, afirmou na sexta-feira que a coordenação da distribuição da ajuda continua sendo um problema.

Ela declarou que o primeiro-ministro haitiano se queixou em uma reunião com equipes de ajuda que somente 10 por cento da população acampada recebeu algum alimento, enquanto alguns acampamentos obtiveram três vezes a quantidade de comida necessária.

A ONU decidiu aumentar o contingente da sua missão no país, liderada pelo Brasil, em mais 2 mil soldados e 1.500 policiais. Atualmente a força é integrada por 9 mil pessoas.

(Matthew Bigg e Jackie Frank. Com reportagem adicional de Patricia Zengerle, Adam Entous, Catherine Bremer, Joseph Guyler Delva e Natuza Nery em Porto Príncipe)

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