Haiti ainda busca foragidos de presídio destruído

O comando da tropa brasileira no Haiti garantiu hoje, em Porto Príncipe, que as cenas de violência vistas pela capital são fatos isolados que não trazem preocupação à missão de paz.

Gustavo Gantois, enviado especial a Porto Príncipe |

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    A coisa mudou muito pouco desde o dia 11, disse o coronel João Batista Bernardes, comandante da tropa brasileira no Haiti. Contudo, o militar acabou se contradizendo ao afirmar que o trabalho do contingente está sendo mais intenso desde o terremoto. É fundamental prender novamente os líderes das gangues que fugiram do presídio.

    A maior dificuldade para colocar esse plano em funcionamento é saber onde alojar os presos. Estima-se que cerca de 3 mil detentos tenham fugido da penitenciária que desabou. Essa é uma preocupação do governo haitiano, defendeu o coronel. O Brasil pode ajudar, mas não é uma decisão nossa.

    O iG foi informado por uma fonte no Itamaraty que há um presídio em construção nos arredores de Porto Príncipe. Trata-se de um esforço conjunto entre o governo do Canadá e a Minustah, a missão de paz da ONU no Haiti. Enquanto isso, as comissarias de polícia que ficaram de pé podem funcionar como abrigos temporários a esses presos, afirmou o embaixador brasileiro no Haiti, Igor Kipman.

    O coronel João Batista Bernardes também afirmou que a população passou a sentir que a ajuda está chegando ao país, ainda que seja comum ver filas se formando ao longo de pontos isolados que fornecem itens escassos como água e comida.

    A maior dificuldade é chegar na ponta da linha, ao cidadão dos bairros mais destruídos que dependem essencialmente da nossa ajuda, disse o militar. Eles entenderam que sem o mínimo de organização nada funcionará. Na previsão do coronel, o fluxo de ajuda humanitária deverá ser regularizado até a próxima sexta-feira 22.

    Infraestrutura

    Um dos maiores responsáveis por esse fluxo é o aeroporto de Porto Príncipe. Com apenas a pista de pouso intacta, e desde o terremoto controlado pelos americanos, é por ele que tem permitido que parte dos esforços humanitários chegue à capital haitiana.

    O porto, extremamente importante para a chegada de equipamentos de engenharia, deverá ser reaberto na próxima semana. O aspecto positivo disso tudo é que poderemos reconstruir a cidade com uma infraestrutura melhor, analisa o general Floriano Peixoto, comandante das tropas de paz da ONU.

    Sobre a autorização concedida pelas Nações Unidas para o aumento do contingente militar no Haiti, o comandante foi enfático ao dizer que ainda não sabe se precisará dele. Mandei meu Estado-Maior fazer um estudo detalhado sobre isso para tomar uma decisão, afirmou. Qualquer definição sobre este assunto é precipitada no momento.

    Vítimas

    Quando a reportagem do iG desembarcou em Porto Príncipe, já era quase impossível ver os corpos espalhados pelas ruas da cidade. Dois dias antes, a equipe de engenharia da tropa brasileira havia enterrado mais de 200 deles em valas comuns. Mas o número exato de quantas pessoas morreram ainda é algo impossível precisar. O próprio governo haitiano não tem condições de informar quantas vitimas há sob os escombros, disse o general Peixoto.

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