Haiti aceita tropas dominicanas em seu território, diz ONU

Nações Unidas, 21 jan (EFE).- O Governo do Haiti aceitou a oferta da República Dominicana de enviar 150 soldados para solo haitiano para proteger o corredor humanitário aberto entre Santo Domingo e Porto Príncipe, afirmou hoje a ONU.

EFE |

O porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky, disse que o presidente haitiano, René Préval, deu o sinal verde para a entrada dos soldados do país vizinho para que ajudem na distribuição de ajuda humanitária aos afetados pelo terremoto do último dia 12.

"Eles têm um papel muito específico, o de patrulhar o corredor, para garantir que permaneça aberto e transitável", explicou Nesirky em entrevista coletiva.

O porta-voz também informou que os 150 militares dominicanos trabalharão em colaboração com o contingente peruano da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) destinado à fronteira haitiana com a República Dominicana.

Além disso, segundo Nesirky, os soldados dominicanos responderão ao chefe militar da Minustah, o general brasileiro Floriano Peixoto Vieira Neto.

Nesirky desmentiu informações divulgadas na quarta-feira segundo as quais Préval tinha rejeitado a oferta dominicana de enviar até 800 soldados, por causa da complicada relação histórica entre os dois países que compartilham a ilha Hispaniola.

O chefe interino da Minustah, Edmond Mulet, estava presente na reunião na qual as autoridades dominicanas apresentaram sua oferta por escrito e o Governo haitiano a aceitou, disse o porta-voz.

"O que sabemos é que uma oferta foi feita e foi aceita", insistiu Nesirky, que se negou a especular se Préval rejeitou inicialmente a proposta dominicana e mudou de opinião por pressões internacionais.

A missão das tropas dominicanas consistirá em manter aberta e proteger a estrada que liga a fronteira dominicana com Porto Príncipe, pela qual a ONU e outras organizações humanitárias enviam comboios com material de primeira necessidade.

Segundo a ONU, a abertura do corredor humanitário e a chegada hoje ao porto da capital haitiana de um primeiro navio com uma carga de 123 toneladas em ajuda humanitária permitirá agilizar a criticada distribuição de ajuda aos afetados pelo terremoto.

A ONU também informou que recebeu US$ 195 milhões e promessas de outros US$ 112 milhões em resposta ao pedido de US$ 560 milhões em ajuda ao Haiti que lançou na sexta-feira passada.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado nesta quarta-feira que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras.

EFE jju/bba

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