Hackers tiram do ar tabloide The Sun, de Murdoch

Ataque do LulzSec aconteceu enquanto o escândalo de escutas atingindo o império do australiano continuou dominando as manchetes

iG São Paulo |

O grupo de hackers Lulz Security lançou um ataque contra o site do tabloide The Sun, do magnata australiano Rupert Murdoch, que na terça-feira prestará depoimento perante uma comissão parlamentar sobre o escândalo de escutas ilegais envolvendo o News of the World , outro tabloide do grupo que foi fechado em 10 de julho .

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Tweeter dos hackers do LulzSec diz: Nos prenda. Te desafiamos. Somos a irrefreável geração de hackers e você é um velho saco gasto de m..., Murdoch
O grupo reivindicou responsabilidade por postar uma notícia falsa sobre a morte de Murdoch no site do Sun. Segundo o post, Murdoch foi encontrado morto em seu jardim. Mais tarde, ataque redirecionou a página do tabloide para o site de microblogs Twitter, mas posteriormente deixou seu site fora do ar.

"O TheSun.co.uk agora é redirecionado para nosso twitter. Alô, todos que queriam visita o The Sun! Como vai seu dia? Bom? Bom!", disse uma das mensagens na conta @LulzSec account.

O grupo, que previamente invadiu o site da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), disse que a história falsa era apenas o início. Posteriormente, o grupo postou: "Nos prenda. Te desafiamos. Somos a irrefreável geração de hackers e você é um velho saco gasto de m..., Murdoch."

O ataque aconteceu enquanto o escândalo de escutas atingindo o império midiático de Murdoch continuou dominando as manchetes, fazendo com que a família do magnata perdesse quase US$ 1 bilhão (quase R$ 1,6 bilhão) por causa da queda das ações da empresa.

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Foto de arquivo mostra ex-repórter do News of the World, Sean Hoare, que foi encontrado morto no Reino Unido
A perda de valor de ações da empresa ocorreu em meio à escalada de más notícias em relação ao escândalo. Sean Hoare, o ex-repórter de showbiz do tabloide que foi o primeiro jornalista a alegar que Andy Coulson estava ciente da realização de escutas ilegais por sua equipe, foi encontrado morto.

Com 43 anos, Coulson era editor do News of the World entre 2003 e 2007, quando as escutas ilegais foram realizadas, e atuou como porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, até janeiro deste ano. Em 8 de julho, ele foi detido sob suspeita de corrupção e, depois de prestar um depoimento de nove horas, foi solto após o pagamento de fiança .

Hoare, que trabalhou no Sun e no News of the World com Coulson antes de ser demitido por problemas com bebidas e drogas, teria sido encontrado morto em sua casa em Watford, no norte de Londres.

De acordo com a publicação, Hoare primeiramente fez suas alegações para as investigações do New York Times sobre as escutas ilegais do tabloide britânico. Ele disse ao jornal americano que Coulson não apenas sabia dos grampos, como ativamente encorajou sua equipe a interceptar as ligações telefônicas de celebridades para obter material exclusivo.

Posteriormente à BBC, ele disse que seu então editor, Coulson, pediu-lhe pessoalmente para interceptar ligações. Segundo ele, as declarações de Coulson de que desconhecia a prática de seus repórteres era "simplesmente uma mentira".

Em setembro, ele foi entrevistado pela polícia em relação às denúncias, mas negou-se a fazer quaisquer comentários. Na semana passada, ele voltou à mídia após dizer ao New York Times que repórteres tinham acesso à tecnologia policial para localizar as pessoas usando seus sinais de celular em troca de pagamento aos policiais. Segundo ele, os jornalistas eram capazes de usar uma técnica chamada de "pinging", que media a distância entre os aparelhos de celular e os números do telefone para apontar sua localização.

Pressão sobre a polícia

A morte de Hoare ocorre em meio ao aprofundamento da crise do escândalo de escutas na força policial de Londres, com as rápidas renúncias de duas autoridades e denúncias de possível investigação ilegal, suborno e conspiração. No domingo, o comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), Paul Stephenson , renunciou pelo caso dos grampos. Sua renúncia foi seguida nesta segunda-feira pela do subcomissário-chefe John Yates .

Nesta segunda-feira, a ministra do Interior da Grã-Bretanha, Theresa May, anunciou um inquérito para investigar as acusações de corrupção policial que surgiram com o escândalo. Theresa disse ao Parlamento britânico que pedirá aos inspetores que analisem principalmente a relação entre policiais e jornalistas.

Sentindo a pressão por seus próprios vínculos estreitos com o império de mídia de Rupert Murdoch, dono do tabloide News of the Wolrd, o premiê britânico encurtou uma viagem na África e pediu uma sessão de emergência do Parlamento para a quarta-feira para que possa abordar o escândalo com os legisladores.

AP
Coulson, ex-porta-voz do premiê David Cameron, deixa delegacia em Londres. Ele foi interrogado por 9 horas por envolvimento no escândalo de grampos de tabloide (08/07)
Na terça-feira, os parlamentares questionarão Murdoch, seu filho James e Rebekah Brooks , a ex-chefe-executiva da divisão britânica da News Corporation do magnata australiano, sobre o escândalo. Rebekah, que renunciou ao cargo de editora-executiva da News International na sexta-feira, foi detida e libertada sob fiança no domingo após prestar depoimento por mais de 12 horas sobre o caso.

O News of the World teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza , esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão. Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

*Com AP e BBC

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