Hackers aumentam ataques contra sites que boicotam WikiLeaks

Sites da MasterCard, da Justiça sueca e do PostFinance são alvo da 'Operation:Payback', que defende os vazamentos pelo WikiLeaks

iG São Paulo |

Um grupo de hackers orquestrou uma ampla campanha nesta quarta-feira de apoio ao site de vazamentos WikiLeaks, que vem atraindo críticas pela divulgação de mais de 250 mil telegramas diplomáticos dos EUA e cujo criador, Julian Assange, está preso em Londres sob acusação de abusos sexuais.

AFP
Imagem mostra ampliação de foto de criador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange

Os alvos incluem a Mastercard.com, que parou de processar doações ao WikiLeaks ; a Amazon.com, que retirou o site de seus servidores ; o serviço de pagamento online PayPal, que suspendeu sua cooperação comercial ; o advogado representando as duas suecas que acusaram Assange; e o PostFinance, braço de serviços financeiros do Correio suíço, que fechou a conta de Assange com o argumento de que ele forneceu informação falsa ao dizer que residia na Suíça .

Segundo o jornal britânico Guardian, o site da MasterCard está parcialmente paralisado no ataque. A empresa, porém, informou ao iG que o ataque não afeta as transações com cartões .

Anonymous, um grupo independente que prometeu retaliar contra qualquer organização que se opusesse ao WikiLeaks, alegou responsabilidade pelo ataque a Mastercard, e, segundo um ativista associado ao grupo, conduzia múltiplos outros ataques sob a chamada "Operation: Payback" ("Operação: Acerto de Contas", em tradução em livre).

O ativista Gregg Housh disse em uma entrevista por telefone que 1,5 mil hackers estavam em fóruns  online e em salas de bate-papo lançando repetidos ataques de "negação de serviço" (DDos) contra sites que atuaram contra Assange e o WikiLeaks em dias recentes.

Além da MasterCard, o PostFinance confirmou nesta quarta-feira que é vítima há três dias de ataques de DDos depois de fechar a conta de Assange na segunda-feira, quando justificou a medida afirmando que Assange forneceu "dados falsos sobre seu domicílio". "Desde o fechamento da conta, vários grupos lançaram a operação 'Payback' com o objetivo de bloquear o PostFinance, simulando centenas de milhares de conexões com o site para sobrecarregá-lo", indicou.

A Justiça sueca anunciou nesta quarta-feira que apresentou uma denúncia à polícia após ter sofrido um ataque de hackers contra o site nas últimas horas. Por causa do ataque, o site ficou fora de serviço site desde terça-feira à noite até esta manhã e ocorreu depois uma sobrecarga no tráfego em direção a ela.

O centro que investiga incidentes informáticos na Suécia (SITIC, na sigla em sueco) confirmou que se tratou de uma ação organizada a partir de vários países.

Na terça-feira, um juiz britânico decretou prisão preventiva contra Assange até 14 de dezembro, data em que está prevista uma audiência do processo para sua extradição à Suécia, onde é suspeito de vários delitos sexuais.

O site Claes Borgstrom, defensor das duas jovens suecas que processaram Assange, sofreu ataques nas últimas horas.

Retaliação

Um membro do grupo de hackers "Anonymous" confirmou que os sites do MasterCard e da Justiça da Suécia foram atacado em represália às ações contra Assange. Em declarações à "BBC", o integrante disse que os ciberataques contra a Promotoria sueca eram justificáveis pelo fato de o órgão ter pedido ao Reino Unido a extradição de Assange.

Sobre a multinacional americana de cartões de crédito, o membro disse que estão sendo feitas "muitas ações" contra as empresas que deixaram de colaborar com o WikiLeaks. "Os sites que estão cedendo às pressões dos governos se transformaram em alvos", afirmou o hacker.

"Como organização, sempre mantivemos uma postura firme no tema da censura e liberdade de expressão e enfrentamos os que tratam de destruí-la por qualquer método", acrescentou. "Acreditamos que o WikiLeaks supera o simples vazamento de documentos. Transformou-se em um campo de batalha: as pessoas contra o governo", explicou o hacker, que se identificou pelo nome de Coldblood (em inglês: sangue frio).

"A ideia não é apagar do mapa esses sites, mas advertir às companhias que isso significa que aumentará também o custo de tramitar na rede", afirmou.

*Com New York Times, EFE e AFP

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