Hackers chineses atacaram o site do maior festival de cinema australiano em protesto pela iniciativa dos organizadores de exibir um documentário sobre a principal líder da etnia uigur, que vive no exílio por ordem de Pequim. Os hackers substituíram as informações contidas no site do Festival de Cinema Internacional de Melbourne pela imagem de uma bandeira chinesa e por slogans contra a líder exilada, Rebiya Kadeer.

O episódio ocorreu poucas horas após a abertura do festival, no sábado. Mas mesmo antes do evento o tema vinha gerado tensões.

Na sexta-feira, Pequim conseguiu retirar da programação quatro filmes que seriam exibidos no festival.

Os organizadores também estavam sendo pressionados para não levar adiante a sessão de perguntas e respostas com a própria Rebiya Kadeer, marcada para coincidir com a exibição do documentário, no dia 8 de agosto.

"Temos estado sujeitos a uma série de ataques e podemos ver nos bastidores do nosso site que há centenas, se não milhares, de pessoas fora da Austrália tentando entrar no site e nos prejudicar", disse à BBC o diretor do festival, Richard Moore.

Apesar da pressão, ele disse que manterá a exibição do documentário e a participação de Kadeer. Mas o evento contará com segurança privada para garantir a tranqüilidade da líder e do público.

"Somos uma organização de arte independente e essa é a nossa programação", afirmou Moore.

Causa
O documentário "The Ten Conditions of Love" (As Dez Condições do Amor, em tradução livre), do diretor australiano Jeff Daniels, conta a história de Kadeer, 62, que passou seis anos em uma prisão chinesa antes de ser liberada no exílio. Desde 2005, a líder uigur vive nos Estados Unidos.

O governo chinês acusa os líderes uigures de incitar a desordem na região autônoma de Xinjiang, no noroeste da China - uma estratégia, dizem os chineses, pensada com fins separatistas.

Os líderes da etnia negam a acusação e dizem que a ação de Pequim tem suprimido gradualmente os costumes e as tradições uigures.

No início deste mês, cerca de 200 pessoas morreram e 1,6 mil ficaram feridas durante confrontos em Xinjiang entre os uigures e os chineses de etnia han.

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