Hábito de vida aumenta em até 30% risco de segundo enfarte

As modernas cirurgias para prevenir os problemas cardíacos podem não ter efeito protetor nenhum para novos casos, quando as mudanças de hábitos não fazem parte da rotina do paciente. Segundo os cardiologistas, entre 15 a 30% dos pacientes que chegam à mesa de operação são reincidentes.

Chris Bertelli e Fernanda Aranda, iG São Paulo |

Entre os principais motivos citados para as pessoas experimentarem pela segunda vez os perigos da doença que mais mata a população na faixa etária entre 40 e 65 anos estão o diabetes, a pressão alta e o colesterol desregulado.

No caso de pacientes que já passaram pela mesa de cirurgia, como do ex-presidente americano Bill Clinton , o controle desses três fatores deve ser ainda maior e as taxas de glicose e colesterol devem estar ainda mais baixas do que os limites normais. As medidas principais em relação a quem já teve infarto são os controles dos fatores do risco, relata o cardiologista e diretor do Hospital do Coração, Ricardo Pavanello. Se o paciente não mudar hábitos de vida que levem ao aumento dessas taxas, pode voltar a ter problemas.

Quando a recidiva é normal

É preciso ressaltar que, além dos chamados fatores de risco, faz parte do curso normal da colocação de pontes de safena uma nova cirurgia depois de cinco ou seis anos, explica o membro da comissão científica da Sociedade Paulista de Cardiologia de São Paulo (Socesp), Pedro Lemos. Isso não significa que o procedimento foi mal feito. Mas é normal as pontes entupirem depois de um período, o que não é tão comum com os stents, completa o especialista.


O médico de Clinton, Allan Schwartz, em entrevista à imprensa local, garantiu que o ex-presidente se enquadra nesta categoria. Noedir Stolf, cirurgião cardíaco e presidente do Conselho Diretor do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), acrescenta que estudos comparativos entre as técnicas do coração já foram realizadas e mostraram a incidência de necessidade de novas intervenções no coração.

Todos os tratamentos são muito bons. Mas quando há colocação de stents (placa metálica para desobstruir as coronárias) o risco de nova cirurgia é ampliado em até cinco vezes, diz Stolf. Isso diminui quando o procedimento inicial é uma cirurgia de revascularização, completa
Apesar disso, os especialistas alertam que os principais gatilhos para despertar a doença são os mesmos que influenciam na primeira vez. A cirurgia cardíaca trata uma sequela não a causa do problema, compara o médico Marcelo Sampaio, especialista do Instituto Dante Pazzanesse de Cardiologia.

Não-respondedores

Outro fator que pode levar o paciente de volta ao centro médico é não ser sensível às medicações utilizadas. De 10 a 15% dos pacientes são o que nós chamamos de não respondedores, ou seja, a pessoa não é sensível ao remédio que está usando. Isso coloca a saúde dela em risco, avalia Pavanello. Nestes casos, é necessária a realização de uma avaliação farmacogenética para determinar qual tratamento deve ser seguido.


Procure um médico ¿ e rápido
O médico de Clinton afirmou que o ex-presidente só o procurou dias depois de sentir um desconforto no peito repetidamente. A atitude, no entanto, é perigosa. A recomendação dos cardiologistas é que, mesmo nos casos de reincidência, o paciente com dores ou desconfortos peitorais procure um médico ou um hospital o mais breve possível.

O cardiologista Ricardo Pavanello afirma que os primeiros 30 minutos até uma hora e meia são determinantes. Com o passar do tempo, vai perdendo chance de ter um bom resultado, ou seja evitar danos no músculo cardíaco.

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