Habitantes de Kiribati buscam nova pátria enquanto água invade o país

Paula Regueira Leal Manila, 19 jun (EFE).- Os habitantes da pequena nação de Kiribati se conformaram com o irreversível desaparecimento de suas ilhas paradisíacas, que serão submersas pelas águas do oceano Pacífico, e já buscam um novo lugar para viver.

EFE |

Kiribati, um arquipélago formado por 33 atóis e uma ilha vulcânica, é a terra de cerca de 100 mil pessoas, que em menos de 50 anos, segundo previsões, será engolida pelo mar.

O presidente Anote Tong anunciou que seu país desaparecerá e iniciou uma viagem internacional para encontrar uma nação a ser adotada por seus concidadãos.

Tong, após lamentar que somente o Governo neozelandês tenha respondido a seu pedido de asilo para os kiribatianos, não esconde sua frustração diante do problema causado fundamentalmente pelas grandes emissões de gás carbônico.

"Os países poderosos enviam às nações pobres uma ajuda financeira que não seria necessária se reduzissem suas emissões de gases", reprova o líder.

O dirigente afirma que os pequenos arquipélagos do Pacífico Sul só produzem 0,6% da poluição mundial e, no entanto, são eles os que mais sofrem com os danos da mudança climática.

Construir um dique temporário de reforço nas ilhas Gilbert, as mais povoadas, custaria mais que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) do país, o segundo mais baixo do mundo em relação aos valores de paridade do poder aquisitivo, segundo dados do Banco Mundial.

Essa visão apocalíptica sobre o futuro de Kiribati não é nova. Em 1989, um relatório das Nações Unidas apontava que este seria um dos primeiros países a serem engolidos pelo oceano.

Após 10 anos, a profecia começou a se tornar realidade quando duas de suas ilhas desabitadas desapareceram no mar.

Tebua e Abanuea, que ironicamente significa "a praia que mais tempo permanece", foram as primeiras vítimas do lento, mas constante, aumento do nível do mar.

Até o Governo da vizinha Vanuatu evacuou os habitantes das ilhas mais altas em relação ao nível do mar por precaução.

Os países da região já começaram a alertar sobre a situação e os meios de comunicação se perguntam qual será o próximo, levando em conta que, mesmo algumas décadas mais tarde, todas as pequenas nações do Pacífico Sul terão que enfrentar o mesmo problema.

A Conferência Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da região Ásia-Pacífico realizada em setembro de 2000 na cidade de Kitakyushu (Japão) chegou a conclusão de que a maioria dos arquipélagos do Pacífico eram vulneráveis à elevação do nível do mar.

Os maiores problemas apresentados por estas nações são que as casas, os campos de cultivo e as infra-estruturas estão concentrados nas zonas litorâneas, as mais expostas.

Os cientistas que participaram do fórum consideraram uma tarefa complicada determinar a gravidade do problema que não pode ser calculado só pela velocidade do derretimento das geleiras dos pólos nem pelo aumento da temperatura das águas dos oceanos.

As estimativas do Programa do Meio Ambiente da região do Pacífico Sul apontam que, no próximo século, o nível do mar terá subido meio metro e que o processo não vai parar aí, já que o aumento observado hoje é fruto do aquecimento provocado há vários anos.

Este não é o único problema de Kiribati. Em 1988, o Governo foi obrigado a realocar mais de cinco mil pessoas na luta contra a superpopulação. Agora, o país conta com 127 habitantes por quilômetro quadrado.

Embora rodeados por gigantes como China e Austrália, os kiribatianos, os mais pobres dentre todos seus vizinhos, enfrentam quase que sozinhos seu desaparecimento como nação, repetindo a lendária história de Atlântida e condenados a serem esquecidos para sempre. EFE prl/rb/rr

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