Habitantes de Funchal temem encontrar novas vítimas das enchentes na Madeira

Antonio Torres Funchal (Portugal) 22 fev (EFE).- Os habitantes de Funchal, a capital da Ilha da Madeira gravemente castigada no sábado por um temporal, estão desolados diante da tragédia que deixou 42 mortos e receosos de que apareçam mais corpos.

EFE |

A cidade mais importante do arquipélago atlântico, um dos destinos internacionais preferidos pelo turismo de praia, apresenta uma desoladora situação e são poucos os transeuntes que caminham por suas estreitas ruas, muitas delas enlameadas.

Em um grande quartel de Funchal, os militares abrigaram mais de 200 refugiados cujas casas foram em muitos casos varridas pela força das enchentes, explicaram à Agência Efe vários dos desabrigados, que receberam roupas e alimentos mas esperam que as autoridades lhes proporcionem um lugar para onde ir.

"Era algo que não imaginávamos. Não esperamos nada bom para os próximos dias", lamenta João Câmara, um dos moradores das lamacentas ruas do centro de Funchal, ao comentar a magnitude da tragédia.

"Um colega taxista morreu enquanto dirigia para o aeroporto. Eu fiz aquele mesmo caminho, um pouco antes", conta Miguel Pereira, natural de Funchal e de 57 anos.

Pereira, que lamenta a falta de luz em várias áreas da ilha, teme os fortes ventos e o grande número de estradas interditadas que causam transtornos desde sábado de manhã - quando foram sentidos os estragos do temporal - a vida dos madeirenses.

Os habitantes das áreas mais danificadas evitam cabisbaixos os olhares curiosos.

"Tivemos o local inundado. Menos mal que reagimos rápido", relata à Agência Efe Fernando Gonçalves, de 54 anos, com um olhar triste que parece compartilhar com toda a cidade.

Situado entre vários morros, o núcleo urbano de Funchal, que concentra mais de um terço dos 260 mil habitantes do arquipélago, sofreu os piores efeitos da água.

O medo de que uma das pontes que cruzam os rios ceda é o que mais preocupa neste momento muitos habitantes da cidade, como Gonçalves.

No entanto, ele elogia a rápida reação das equipes de salvamento mobilizadas pelo Governo português.

Do continente chegaram helicópteros, submarinos - para buscar corpos na baía de Funchal - e soldados da Guarda Nacional Republicana com cães farejadores treinados na busca de vítimas. Hoje chega ao porto a fragata militar Corte-Real, equipada com material de assistência humanitária.

A ajuda é esperada em muitos bairros da cidade, em cuja região mais emblemática, desde a Catedral até a parte alta do cassino, a circulação segue interditada.

Na zona central da avenida Arriaga, as equipes municipais trabalharam toda a noite na limpeza da lama. Não longe de ali, José Felipe Fernandes Jardim, de 44 anos, conseguiu se refugiar fora de uma rua que em instantes se transformou em um incontrolável rio de água e lodo.

Do parapeito, Jardim viu como a enchente arrastava uma mulher e uma menina enquanto cruzavam uma ponte engolida pelo forte curso de água que descia dos morros.

Os danos do temporário ainda não foram calculados e o Governo português espera ter uma avaliação concreta para pedir que seja ativado o fundo de solidariedade da União Europeia.

Segundo os últimos dados divulgados pelas autoridades da Ilha Madeira, as chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra causaram a morte de 42 pessoas, 120 feridos e 250 desabrigados.

Espera-se que os bombeiros comecem hoje a drenar as maiores garagens e estacionamentos dos shoppings, onde se teme que possam aparecer outras vítimas.

Enquanto isso, muitas lojas da cidade permanecem fechadas, o abastecimento de água só chega a um terço da população e as aulas foram suspensas em toda a ilha para reduzir a circulação de veículos e pessoas.

O presidente da Associação de Comércio e Serviços do arquipélago, Lino Abreu, estimou que o temporal causou danos de pelo menos 5 milhões de euros ao setor comercial só em Funchal.

"Centenas de lojas foram atingidas pelo lodo. Há estabelecimentos danificados, mercadorias e equipamentos irrecuperáveis", lamentou.

EFE atc/sa

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