Há quatro brasileiros entre 72 mortos no México, diz Itamaraty

Governo mexicano confirmou ao Brasil que quatro dos 72 supostos imigrantes ilegais encontrados mortos em fazenda são brasileiros

iG São Paulo |

O Itamaraty confirmou nesta quarta-feira que quatro brasileiros estão no grupo de 72 supostos imigrantes ilegais encontrados mortos em uma fazenda no Estado de Tamaulipas , no nordeste do México. De acordo com o Itamaraty, o governo mexicano confirmou à Embaixada do Brasil na Cidade do México que foram encontrados corpos de quatro brasileiros, mas ainda não há informações sobre origem ou em que circunstâncias eles foram mortos. O vice-cônsul brasileiro na Cidade do México, João Batista Zaidan , havia confirmado previamente que brasileiros estavam entre as vítimas.

Contatada pelo iG , a cônsul-geral adjunta Maria Aparecida Weiss, do Consulado-Geral do Brasil no México, afirmou que a informação de que havia vítimas brasileiras entre os mortos foi transmitida pela Secretária de Informações Exteriores do México. Segundo a diplomata, as autoridades mexicanas, porém, ainda não entregaram ao Brasil nenhuma confirmação por escrito das mortes ou uma lista com o nome das vítimas.

Membros do corpo diplomático da embaixada e do consulado brasileiros no México embarcam na quinta-feira em um voo cedido pelo governo mexicano à fazenda em Tamaulipas, perto da fronteira com os EUA, para descobrir mais informações sobre os assassinatos e ajudar na identificação dos corpos.

AP
Equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla descansa em hospital em Matamoros, no leste do México. Ele é testemunha de massacre de 72 imigrantes perto da fronteira dos EUA

O embaixador do México no Brasil, Alejandro de la Peña, informou ao iG que as investigações preliminares sobre o caso indicam que quatro brasileiros estariam entre os 72 mortos, mas que ainda falta a identificação oficial das vítimas.

Segundo o porta-voz de segurança do governo mexicano, Alejandro Poiré, a informação sobre a nacionalidade dos mortos foi obtida por meio do depoimento do equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla, que sobreviveu ao massacre. Segundo ele, os corpos são de cidadãos do Brasil, Equador, El Salvador e Honduras. O subsecretário para América e o Caribe da Chancelaria mexicana, Salvador Beltrán del Río, afirmou que as embaixadas dos quatro países foram contatadas para que colaborem na identificação dos corpos.

Ilegais

Segundo o depoimento do sobrevivente, os estrangeiros, que seriam imigrantes ilegais tentando cruzar a fronteira dos Estados Unidos, foram sequestrados por um grupo armado ligado ao tráfico de drogas. Os homens, que disseram pertencer ao grupo Los Zetas, teriam decidido matar os imigrantes após eles terem se recusado a trabalhar para sua organização.

Os corpos de 58 homens e 14 mulheres foram encontrados em local próximo a San Fernando, depois que o equatoriano Pomavilla apareceu, ferido, em um posto de controle da Marinha mexicana. Ele disse que tinha sido atacado por atiradores de um cartel de traficantes e conseguido fugir.

Soldados invadiram o local em uma operação acompanhada por um ataque aéreo. Houve troca de tiros com suspeitos e três atiradores foram mortos, além de um militar. Uma pessoa foi presa. Além dos corpos, também foram encontrados armas, munições e uniformes. Quatro caminhões também foram apreendidos, um deles com placa clonada do Ministério da Defesa.

A descoberta da vala comum com os 72 corpos está entre as maiores do tipo no México. As autoridades ainda não informaram quanto tempo os corpos estavam ali nem se todos foram mortos ao mesmo momento.

O Estado de Tamaulipas é um dos mais afetados pela violência do narcotráfico, e é palco de uma disputa entre os cartéis de Zeta e do Golfo, que abastecem o mercado de drogas dos EUA. A Marinha mexicana divulgou uma nota condenando "atos bárbaros cometidos por organizações criminosas". "A sociedade como um todo deveria condenar esses atos, que ilustram a necessidade total de se continuar combatendo o crime com rigor", afirma a nota.

Nos últimos meses, mais valas comuns têm sido descobertas no México. Em junho, a polícia achou 55 corpos em uma mina abandonada próximo à cidade de Taxco, no Estado de Guerrero. Nos últimos quatro anos, mais de 28 mil pessoas já morreram no México em consequência da guerra contra o narcotráfico.

Arte/iG
Cartéis de drogas do México contornam a ofensiva do Estado e expandem atividade por meio de alianças
* Com informações de Leda Balbino e Marsílea Gombata, iG São Paulo, e Ansa, AFP e BBC

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