Teresa Bouza. Washington, 16 nov (EFE).- A capital dos Estados Unidos retornou hoje à normalidade após a Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes), chamada de histórica por alguns participantes, mas na qual os observadores vêem, por enquanto, mais promessas que ações concretas.

O jornal americano "The New York Times" destacou hoje que "embora as propostas tenham sido apresentadas ambiciosamente, refletem principalmente medidas que os países já tinham iniciado".

Para o jornal, o mais significativo foi a escolha do G20 como fórum de encontro, grupo que inclui nações em desenvolvimento como o Brasil, além dos países ricos.

Simon Johnson, economista do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), disse ao "New York Times" que, para anunciar o que foi anunciado, não era necessário tamanha mobilização.

"São medidas mais que normais já que não era necessário organizar uma reunião" deste tipo, afirmou Johnson.

Os chefes de Estado e de Governo do G20 se comprometeram a atuar em várias frentes, como a supervisão adicional dos mercados e a reforma e o financiamento do FMI, uma das áreas nas quais os resultados despontam como mais tangíveis.

Os líderes também defenderam políticas monetárias e fiscais para enfrentarem a forte crise econômica, se manifestaram a favor dos princípios do livre mercado e se comprometeram a lutar contra o protecionismo.

Kenneth Rogoff, professor da Universidade de Harvard, disse à revista "BusinessWeek" que se trata de uma declaração básica de princípios na qual "todos estão de acordo".

O que está menos claro é se os integrantes do G20 compartilham a mesma visão sobre as mudanças necessárias.

Para começar, a maior parte das decisões difíceis foi deixada para encontros futuros.

A próxima reunião acontecerá antes do final de abril, provavelmente em Londres, o que forçará o grande ausente da cúpula de Washington, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, a encarar importantes assuntos econômicos logo após chegar à Casa Branca, em 20 de janeiro.

Os analistas parecem concordar que a ausência de Obama tornou impossível conseguir acordos vinculativos.

Mesmo assim, os ministros da Fazenda do G20 voltaram a seus países com uma longa lista de tarefas pendentes.

Entre as missões mais importantes está a elaboração até 31 de março de novos padrões que obriguem os participantes do complexo mercado de derivativos a aumentarem a transparência de suas operações.

Os reunidos em Washington também concordaram sobre a necessidade de uma maior supervisão das agências de classificação de risco, que deram sinal verde aos exóticos instrumentos financeiros apoiados com hipotecas de alto risco que acabaram no centro da atual hecatombe econômica e financeira.

A rede "BBC" concluiu em uma análise em seu site que o estipulado durante a cúpula poderia conduzir a "algo significativo".

Na opinião do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, o importante agora serão "as ações de acompanhamento".

Em declarações ao jornal americano "The Wall Street Journal", o economista Sung Won Sohn, da Universidade Estadual da Califórnia, advertiu que o "progresso será difícil e lento", já que "cada país tem sua própria agenda, o que complica as coisas".

Serve como exemplo o caso do atual presidente americano, George W. Bush, que ontem se comprometeu juntamente com outros líderes do G20 a adotar medidas que impulsionem o crescimento, mas não está claro o que isto quer dizer no caso dos EUA.

O atual Governo americano não apóia um pacote de estímulo fiscal adicional que deve ser submetido nos próximos dias à votação no Congresso e que implicaria, entre outras coisas, a concessão de ajudas ao setor automobilístico do país.

Seja como for, Washington mostrou ontem o caráter de urgência da situação e enviou a mensagem que não agir representa um risco muito alto. EFE tb/wr/fal

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