Há indícios de 'crimes de guerra' no Afeganistão, diz Wikileaks

Fundador de site afirma que documentos confidenciais revelados nesta segunda provam a existência de abusos

AFP |

O fundador do site Wikileaks defendeu nesta segunda-feira a divulgação de milhares de documentos confidenciais relativos, entre outras coisas, a baixas civis no Afeganistão, que revelam, segundo ele, que a coalizão internacional pode ter cometido "crimes de guerra". "Quem tem que decidir se se trata de um crime ou não é um tribunal. No entanto, à primeira vista, dá a impressão de que há provas de crimes de guerra nestes documentos", afirmou Julian Assange em uma entrevista coletiva à imprensa .

Reuters
Julian Assange defende as informações publicadas por seu site nesta segunda-feira

No total, 92.000 documentos foram divulgados pelo Wikleaks com detalhes inéditos da guerra no Afeganistão retirados dos arquivos do Pentágono e de relatórios nos teatros de operações que vão de 2004 a 2010.

De acordo com o Guardian, um dos três veículos que tiveram acesso aos arquivos, pelo menos 195 mortos civis estão registrados, um número "provavelmente subestimado porque vários eventos controversos são omitidos nos relatórios diários das tropas no terreno".

Segundo o New York Times, outro veículo para o qual os arquivos foram apresentados, agentes paquistaneses e insurgentes do Taleban reúnem-se regularmente em "sessões de estratégia secreta" com o objetivo de organizar "redes de grupos de insurgentes que enfrentam os soldados americanos no Afeganistão, e mostram até complôs visando à assassinar dirigentes afegãos".

Os Estados Unidos condenaram no domingo a divulgação destes documentos "por parte de pessoas e organizações que poderiam colocar as vidas de americanos e de seus aliados" em perigo. "Estamos acostumados às críticas daqueles cujos abusos mostramos", declarou Assange. "A função do jornalismo é questionar o poder", considerou em declarações ao The Guardian. Para Assange, "não há motivo algum para que duvidemos da seriedade dos documentos ".

O fundador do Wikileaks afirmou que deseja que estes documentos favoreçam "a compreensão do que ocorreu durante os últimos seis anos de guerra no Afeganistão e uma mudança de política" no que diz respeito a esta guerra.

AFP
Documentos sobre o Afeganistão foram divulgados por site especializados em informações sigilosas

Investigação

O dossiê veio à tona no momento em que a Otan diz estar investigando denúncias sobre a morte de até 52 civis em um ataque aéreo na província de Helmand na sexta-feira. Embora o inquérito preliminar não tenha encontrado provas, várias pessoas que dizem ter testemunhado o incidente. Elas afirmaram que o ataque foi durante o dia, quando dezenas de pessoas buscavam abrigo no local por causa do combate que estava sendo travado no vilarejo vizinho Joshani.

Um porta-voz da Otan disse que as forças internacionais se esforçaram muito para evitar mortes de civis. "A segurança do povo afegão é muito importante para as Forças Internacionais de Assistência à Segurança", disse o tenente-coronel Chris Hughes.

No total, 1.074 civis morreram no primeiro semestre do ano no Afeganistão por causa da guerra, 1,3% a mais do que no mesmo período do ano anterior, segundo dados da organização independente Afghanistan Rights Monitor (ARM). A ARM atribui aos insurgentes do Taleban 661 das mortes civis neste semestre e atribui 210 à Isaf, uma "redução considerável" graças às "restrições impostas no uso de bombardeios aéreos".

* Com AFP e BBC Brasil

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